escândalo

28/02/2009 § 1 comentário

José Ignácio Chauvín é a pedra no sapato de Rafael Correa nesta corrida eleitoral. É Chauvín quem ultimamente mais atrai a atenção dos meios de comunicação. Está todos os dias no jornal, no rádio e na tevê. Não é candidato da oposição. Sequer pertence à oposição. Tampouco faz parte do governo. E aqui, para ele e para o presidente, começam os problemas.

Chauvín já integrou a administração correísta. Mais precisamente, foi subsecretário do Ministerio de Gobierno. É homem de confiança do ex-ministro Gustavo Larrea. Juntos militaram em organizações de direitos humanos em épocas menos democráticas do país. Companheiros, pois.

Outro companheiro de Chauvín foi Raúl Reyes, um dos líderes das Farc. Reyes morreu em território equatoriano, ou melhor, foi abatido pelo exército colombiano dentro das fronteiras do Equador há um ano. E aqui começam outros problemas.

Chauvín confessa que se encontrou sete vezes com Raúl Reyes antes de sua morte, mas garante que as reuniões aconteceram todas em acampamentos das Farc localizados do lado de lá da fronteira.

O governo colombiano, porém, argumenta que Raúl Reyes estaria já há um bom tempo dentro do Equador, mais precisamente na região de Angostura, extremo norte do país. Para Bogotá, portanto, não seria viável para o guerrilheiro deslocar-se do Equador à Colômbia para reunir-se com um funcionário do governo equatoriano.

Se estiver correto, esse raciocínio traz muitas consequências. A primeira delas, que pessoas dentro do governo de Correa sabiam que as Farc mantinham um acampamento dentro do Equador. A outra, que nada foi feito. Outra, que houve colaboração com a guerrilha e, por consequência, com a narcopolítica.

Enfim, Chauvín está preso. Em suas declarações, reforça a versão de que, em seus encontros com Reyes, esteve negociando a libertação de reféns em posse das Farc, o que por aqui ficou conhecido como “canje humanitário”. E que deu certo: a guerrilha já não mantém sequestrado mais nenhum civil, apenas militares.

No ataque de 1 de março de 2008 também morreram quatro estudantes mexicanos que estavam no acampamento fazendo trabalho de campo sobre as Farc. Quito e Bogotá estão com as relações cortadas até hoje por conta disso. Não há previsão de que se reaproximem.

Correa se disvilculou do caso afastando tanto Chauvín como Larrea. Disse ainda que, se os encontros com a guerrilha aconteceram dentro do Equador, foi uma “traição à pátria”. Depois preferiu esperar o avanço das investigações.

Um dos promotores que cuidavam do caso morreu de enfarto na semana passada.

O resto, por enquanto, é diz-que-diz. (cc)

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§ Uma Resposta para escândalo

  • Leo disse:

    Escrevi um comentário de dez linhas mas porque não pus meu email ele deu erro e apagou sozinho… Saco, depois escrevo de novo. Em resumo, gostei. Opinei também que seria interessante levantar questões se possível originais e interessantes, o que teu olhar estrangeiro e jornalistico ajudam muito.

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