por causa de angostura

03/03/2009 § Deixe um comentário

O dia 1º de março já passou, mas as “comemorações” pelo primeiro aniversário do ataque de Angostura continuam. Em uma entrevista concedida ao jornal El Tiempo, o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, disse que “as relações diplomáticas entre Quito e Bogotá serão restabelecidas quando o Equador quiser.”

E foi além ao justificar a invasão territorial do ano passado:

“Golpear terroristas que sistematicamente atentam contra a população de um país, ainda que estes não se encontrem dentro de seu território, é um ato de legítima defesa e uma doutrina cada vez mais aceita pela comunidade e o direito internacional.”

Assim a Colômbia se apropria e põe em prática os mesmos conceitos que, de uma maneira geral, serviram de argumento para os Estados Unidos durante a invasão de Iraque e Afeganistão.

O mesmo informe da Anistia Internacional [ver o caso de angostura] que declara a população civil como a grande prejudicada do conflito colombiano chama a atenção para o tratamento conceitual que o governo de Álvaro Uribe dispensa ao confronto. Em vez de “guerra civil”, a administração uribista prefere usar o termo “guerra contra o terror”. Segundo a AI, nessa diferenciação vai incluída uma série de desrespeitos aos direitos humanos, uma vez que não há legislação que os garanta dentro de um combate vale-tudo contra organizações classificadas como “terroristas”.

Um pronunciamento conjunto dos ministros de Defesa, de Segurança e de Relações Exteriores do Equador não tardou em acontecer. Juntos, declararam que a postura colombiana não ajuda o processo de normalização das relações bilaterais. Por isso, para eles está claro que o restabelecimento da diplomacia entre os dois países não depende apenas de Quito.

“Equador quer restaurar relações quando Colômbia renuncie a estes resquícios da doutrina Bush, segundo a qual na defesa de seus interesses uma nação pode violar a soberania de outro país”, diz Javier Ponce, ministro da Defesa equatoriano.

Rafael Correa também rebateu as palavras de Juan Manuel Santos. “Pobrezinho… Ele não entendeu que na América Latina não há lugar para imperadoreszinhos e que o Grupo do Rio, em março do ano passado, rechaçou por unanimidade essa doutrina prepotente.” Na época, a Organização dos Estados Americanos (OEA) também condenou o bombardeio.

As duras críticas ao ministro colombiano não impediram Correa de aceitar a criação de um comitê que investigue as supostas relações entre membros de seu governo e a guerrilha ou narcotráfico. A exigência é que não façam parte da comissão nem pessoas ligadas à administração nem à oposição nem à “imprensa corrupta”. (cc)

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