“correa, mais uma vez”

20/03/2009 § Deixe um comentário

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Pela primeira vez desde o retorno do sistema democrático no Equador, em 1979, um presidente no pleno exercício de suas funções poderá concorrer à re-eleição. Rafael Correa, um economista de 45 anos que saiu dos quadros docentes da maior universidade privada do país para, depois de uma rápida passagem pelo Ministério de Economia e Finanças, chegar à presidência, tem grandes chances de permanecer por pelo menos mais quatro anos no comando do governo equatoriano.

Correa vem sendo considerado por muitos – inclusive por membros da oposição – como um candidato imbatível. Por uma série de motivos, que vão desde características pessoais e boas estratégias de comunicação até o desejo popular por mudança que entra em perfeita sintonia com algumas medidas implementadas nestes dois anos em que ocupou o Palácio de Carondelet, em Quito. No entanto, talvez o que mais pese a favor de seu favoritismo na hora da votação seja a falta de concorrentes à altura.

“Às vésperas das eleições, vemos que não há candidatos habilitados para derrotar Correa. O presidente conseguiu inculcar na população a ideia de um novo projeto para o país e fazer com que o povo votasse pela mudança. Além disso, foi capaz de cutucar a ferida dos partidos políticos tradicionais”, analisa Ruth Hidalgo, diretora do observatório eleitoral Participación Ciudadana. Para a analista, no entanto, se não existe um adversário capaz de ameaçar o presidente, é também porque os grupos políticos que agora se encontram na oposição ainda não entenderam que devem se questionar sobre seus próprios estatutos e trabalhar a partir de um novo projeto político. “Ainda estão pensando em recuperar velhas práticas. Enquanto esse for o pensamento dos partidos tradicionais, não haverá para eles possibilidade de vitória.”

O Equador passa por um período de transição que se materializou institucionalmente durante o governo Correa. Os antecedentes mais imediatos dessa onda de mudanças, entretanto, se encontram na década passada. Há mais de dez anos que o país não tinha um governo estável. Abdala Bucaram, Alarcón Rivera e Jamil Mahuad passaram pela presidência entre 1996 e 2000, quando um golpe de Estado instaurou um triunvirato que não durou nem uma semana. Então vieram Gustavo Noboa, Lucio Gutiérrez, Alfredo Palácio e, finalmente, em 2007, Correa, cuja vitória não pode ser interpretada fora do contexto das recorrentes crises políticas em que estava mergulhado o país.

À frente do movimento Alianza País, Correa venceu as eleições pela primeira vez prometendo desencadear uma “revolução cidadã”. O projeto teria como carro-chefe a convocação de uma Assembleia Constituinte e a aprovação de uma nova Carta que rompesse com os ordenamentos institucionais da anterior, elaborada em 1998. “Os seguidos golpes cívico-militares, as mobilizações populares e levantes indígenas de alguma forma haviam colocado em evidência a necessidade de re-estruturação do aparato jurídico-administrativo do Estado”, explica Alex Zapatta, professor da Universidade Central do Equador e membro do Centro de Pesquisas para o Desenvolvimento, em Quito. Zapatta afirma que as condições de governabilidade estavam esgotadas e que a estrutura dos partidos políticos tradicionais já não permitia conduzir as inquietudes sociais: faltava um novo esquema (…)

>> continua no saite da revista fórum

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