ecuavoley supera o futebol

27/03/2009 § Deixe um comentário

ecuavoley

Como em todos os países latinoamericanos, o futebol é jogado e amado por muitos no Equador. O rádio e a tevê transmitem os principais jogos do Campeonato Equatoriano, da Copa Sulamericana e da Taça Libertadores da América – cujo atual campeão, aliás, é a equatoriana LDU. Os torcedores, por sua vez, costumam lotar os estádios em dias de clássico. Mas, nas praças de Quito, nos fins de semana ou de expediente, o esporte que domina é o “ecuavoley”.

Como se pode imaginar, a palavra vem da junção entre Ecuador (forma castelhana de escrever o nome do país) e volleyball (maneira inglesa de grafar o esporte). Nada mais é, pois, que um vôlei à equatoriana, uma variação do vôlei tradicional. No Equador criaram o ecuavoley assim como em Birigui, no interior de São Paulo, inventou-se o biribol.

Em vez de seis para cada lado, o ecuavoley se joga com seis pessoas ao todo: três pra lá e três pra cá. A rede também é diferente, mais alta e mais estreita. É impossível dar cortadas (até porque a estatura média dos equatorianos não ajuda) e é permitido “conduzir”.

A bola não é a que estamos acostumados a ver em jogos de vôlei, mas de futebol mesmo. É verdade que agora já se fabricam bolas específicas para o ecuavoley, mas a inspiração para elas descansa no bom e velho capotão.

Porém, não se joga com o pé – não se trata de futevôlei. Os equatorianos preferem as mãos. O jogo consiste num melhor de três sets, cada um com doze pontos. Diferentemente do vôlei tradicional, que abandonou a vantagem, aqui em Quito para pontuar é preciso haver sacado antes.

O ecuavoley está muito mais presente nas praças do que nas quadras. Claro, existem campeonatos municipais, provinciais e nacionais, mas o esporte em sua essência popular pode ser visto nos gramados do centro da cidade ou em qualquer outro espaço em que se possa pendurar uma rede e demarcar a área de jogo com giz ou barbante.

Às tardes, muita gente se reúne nos parques El Ejido ou La Carolina, em Quito, para assistir, jogar ou apostar nas melhores equipes que vão se formando entre amigos e familiares.

Ainda que seja apenas um dólar cada um, os equatorianos gostam de apostar. Sempre em dólar, porque desde 1999 o país não tem moeda própria. O episódio conhecido como “feriado bancário” atentou contra as economias da população e acabou com a divisa nacional, o sucre, mas não abalou o costume de botar dinheiro no ecuavoley.

José Valdés organiza campeonatos todos os domingos no parque El Ejido. É artista e, de prancheta na mão, vive convocando seus amigos artistas – que todos os fins de semana montam suas pequenas exposições ao redor do parque – para jogar uma partida entre uma venda e outra. Apostando, claro.

“Um dolarzinho cada um, ou dois. A melhor equipe do dia leva o dinheiro e também um troféu”, explica José entre um gole e outro de cerveja. Enquanto isso, observa a grande final do dia e fala de sua juventude como jogador (de futebol) no Deportivo Cuenca. “Me quebraram a tíbia e o perônio. Aí já não pude mais jogar. Agora, só ecuavoley.”

>> publicado no uol

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento ecuavoley supera o futebol no Latitude Sul.

Meta

%d blogueiros gostam disto: