trem para alguns

29/04/2009 § Deixe um comentário

“Nós temos uma estrada de ferro que liga Santos a Corumbá e que, portanto, liga Santos a Bolívia. O mais grave é que a estrada na Bolívia está pronta, na Argentina está pronta, no Chile está pronta até o porto de Antofogasta, e o nosso pedaço, aqui dentro, que custa apenas 80 milhões de reais, está paralisado há muito. E nós vamos ter que fazer com que essa ferrovia volte a funcionar. O problema não é muito custoso, trata-se apenas do problema de conserto dos dormentes e de alguns trilhos que se estragaram ao longo do tempo. O que foi grave no Brasil é que não só não se fez as coisas novas que precisariam ser feitas, como não se fez corretamente a manutenção daquilo que precisaria ser feito”

Lula, 15 de março de 2004 

:: por joão peres ::

Apenas R$ 80 milhões. Cinco anos depois e só agora a ferrovia que corta parte do Pantanal começa a voltar às operações, mas apenas para inglês ver. Num primeiro momento, pelo menos, as populações locais não usarão um trem que poderia facilitar o deslocamento a regiões pouco assistidas pelo transporte rodoviário. A ideia é que o Trem do Pantanal seja meramente turístico – e não liga Santos a Corumbá.

http://www.trenparatodos.com.ar

Não é um caso isolado. A política do governo atual para as ferrovias está longe de ser perfeita. Oficialmente, o país tem mais de 57 mil quilômetros de trilhos em operação, contabilizados aqui também os trens urbanos. Fora das grandes cidades, o transporte de passageiros é irrisório: RFFSA, Fepasa e Vale, que assumiram o controle ferroviário de importantes trechos graças à política “privatória” de FHC, ignoram que há populações necessitadas de condução. Outras duas concessões, EFVM e EFC, levam por ano menos de um milhão e meio de passageiros. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres, 300 mil a menos que o número registrado antes do desmonte do setor.

Agora, quando o Brasil comemora a entrada no grupo dos prestigiados países amigos dos ricos, vem com toda a força um projeto que não pode deixar de nos levar às memórias del subdesarollo. Anunciado com toda a pompa, o trem bala ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro deve ser licitado ainda no primeiro semestre com um orçamento previsto em US$ 11 bilhões (setores do governo admitem que o investimento pode ser maior, de US$ 14 bi). Tudo isso por um trecho de menos de 500 quilômetros e que depois deve ser administrado pela iniciativa privada.

O discurso de 2004 do presidente Lula mostra o quanto o projeto do trem bala é caro: o custo para reativar os trilhos entre Santos, litoral de São Paulo, e Corumbá, fronteira brasileira com a Bolívia, seria de R$ 80 milhões. Para um trecho de 1.500 quilômetros. Uma conta simples mostra que o preço do quilômetro seria de R$ 53 mil. No caso do trem bala, algo como US$ 22 milhões por quilômetro. Ou seja, pela cotação atual do dólar e pelas contas do presidente Lula, 2 quilômetros de trem bala seriam suficientes para reativar 1.500 quilômetros de trilhos tradicionais – e ainda sobra troco.

Na Argentina, um grupo chamado “Trem para todos” fez as contas e mostrou quão inteligente é focar em ferrovias convencionais: com um investimento de US$ 3,1 bilhões, quase dois bilhões a menos que o que seria investido no trem bala entre Rosário, Córdoba e Buenos Aires, seria possível reativar 18 mil quilômetros de trilhos, sete mil deles para uso de passageiros. A reversão do processo levado a cabo por Carlos Menem, mais do que isso, geraria a reativação de economias locais e possibilitaria a todos viajar por preços acessíveis e a boa velocidade, em torno de 120 quilômetros por hora.

Segundo o projeto de trem bala desejado pelos Kirchner, a Argentina ficaria durante 30 anos dependente da tecnologia francesa da Alstom [sem entrar nos méritos de uma empresa que, no ano passado, esteve envolvida em escândalos de corrupção da ponta do Alaska a Ushuaia], pagando à empresa subsídios que fariam os gastos aumentarem vertiginosamente. Lançada em 2006 por Néstor, a proposta foi arquivada recentemente por Cristina que, pelo secretário de Transporte, Ricardo Jaime, admitiu: o projeto não encontra quem o banque ou, nas palavras do diário Critica de la Argentina, descarrilou.

Em “La próxima estación” (disponível para download na internet e em exibição em algumas salas de Buenos Aires), o documentarista Fernando Solanas mostra o desmonte do setor ferroviário ao longo da história argentina. Mas vale a pena focar-se na década menemista (1989-99), quando os trens foram privatizados sob a alegação de que davam prejuízo de US$ 1 milhão por dia – hoje, custam US$ 3 mi por dia ao Estado graças aos subsídios, mas com apenas 20% da malha inicial operando. Aparte isso, os roubos e acidentes cresceram vertiginosamente e a desativação de vários trechos deixou povos isolados. É o caso de Patrícios, cidade que tinha 6.000 habitantes e, depois de Menem, tem apenas 600 saudosos que esperam pelo dia em que retornará o trem. Além disso, a supressão do transporte ferroviário sobrecarregou o uso de automóveis, que hoje são uma das principais causas de mortes na Argentina (8.100 pessoas por ano, em média), muito acima de homicídios, por exemplo.

Jorge Rúben Contestí, ex-ferroviário e autor do livro “La República que ¿perdió? el tren”, apresenta os investimentos necessários para a recuperação. A renovação de 40% dos trilhos teria um custo de US$ 169 mil por quilômetro nos trechos de passageiros e de US$ 49 mil nos trechos usados apenas para transporte de carga. Com materiais e mão de obra, menos de US$ 2 bi, além de outros US$ 370 milhões com locomotoras nas primeiras três décadas. Os gastos de manutenção também são muito mais baratos: seriam economizados 37 milhões de litros de combustível ao ano apenas com os trens cargueiros.

Leonardo Rico, integrante do Tren para Todos em Rosário, Argentina, conversou conosco sobre o desmonte do setor ferroviário no país e como se fez para brecar o projeto de trem bala.

Em primeiro lugar, gostaria que falasse como foram desenvolvidos os estudos para provar, por exemplo, que o investimento seria bem inferior ao do trem bala. Vocês falam que os custos com o trem bala podem chegar a 14.000 milhões se considerarmos os próximos 30 anos.

 

Em um estudo publicado no livro “La república que ¿perdió? el tren. Análisis y proyecto para refundar el ferrocarril en la Argentina”, Jorge Contestí, especialista em temas ferroviários, calcula o custo de reativar 18.000 quilômetros de vias: 7.000 para trens de passageiros e de carga e 11.000 a mais somente para trens de carga. Umas 300 locomotivas novas, 900 vagões de passageiros e 15.000 de carga por um custo de US$ 3,1 bilhão (com base em cálculos do ano de 2005). Um trem de alta velocidade é muitas vezes mais caro que um trem de velocidade normal (entre 120 e 160 km/h) para passageiros. Além disso, há os custos de manutenção posteriores que acarretaria o trem de alta velocidade e o alto consumo de energia. O trem bala não permite o transporte de carga e nos endivida por 30 anos a US$ 14 bilhões segundo o contrato com a empresa francesa Alstom. 

Como o movimento começou a se organizar e por que alcançou tamanha importância? Há uma “Argentina latente”, como supõe Fernando Pino Solanas?

 

O movimento surge de uma necessidade de recuperar o transporte terrestre mais econômico, ecológico e popular que tinha o nosso país. Existe uma “Argentina latente” que sabe que o trem é estratégico para avançar em um projeto de país para todos.

Em abril de 2008, em um grupinho começamos a nos reunir todas as terças-feiras e convidamos outras pessoas para que se somassem (ferroviários, organizações sociais e políticas que estejam de acordo com o projeto). Organizamos atos públicos para debater e explicar nosso projeto e promovemos um referendo popular sobre dois pontos: a reconstrução do sistema ferroviário nacional, estatal, controlado por usuários e trabalhadores; e a anulação do trem bala. Fizemos uma página na internet para que se pudesse assinar de forma eletrônica e nos comunicarmos. Essa iniciativa obteve um apoio massivo muito rapidamente e desde então crescemos e fomos nos organizando por todo o país. Alguns dos pontos que saíram foram os seguintes: entender o Tren para Todos como um movimento social que não pertence a nenhuma agrupação em particular, mas à maioria da população; Ter uma proposta convincente baseada em um trabalho sério, além de nos opormos ao projeto oficial; Lançar o referendo em todo o país e realizar atividades públicas; Utilizar a página na internet como meio massivo de comunicação. E tudo isso sobre a base do grande suporte de referentes sociais como Pino Solanas e a força de milhares de vontades e organizações que já vinham reclamando pela volta dos trens.  

Os investimentos de US$ 3,1 bi contemplam simplesmente a reativação das linhas que antes existiam ou será necessário construir novos trilhos?

 

O projeto, em uma primeira etapa, contempla recuperar o traçado ferroviário existente. Mas não gostaríamos de ficar por aí, queremos cruzar transversalmente a rede ferroviária com novos trilhos para unir as províncias de Noroeste e Nordeste com projeções para os países limítrofes. É um desafio do Tren para Todos e um objetivo da unidade latinoamericana. 

O trem bala tem como reativar a indústria ferroviária nacional? Há algum estudo que mostre qual a diferença no número de passageiros contemplados pelo trem bala e pelo convencional?

 

O trem bala implica dependência tecnológica da França. Recuperar o Tren para Todos significa estimular a indústria metal-mecânica, baixar o custo do transporte de carga, a reativação de oficinas e escolas em todo o país. Tren para Todos se faria investindo a maior parte do dinheiro da Argentina e de países do Mercosul, como o Brasil em caso de necessitar importações, de modo que o dinheiro ficaria na região e estimularia nosso desenvolvimento industrial regional.

Há estudos que demonstram que na Argentina não é viável o trem bala porque não haveria suficiente demanda de passageiros, além do preço da passagem Rosario-Buenos Aires (350 quilômetros), que seria comparável ao que custa viajar em avião, entre 350 e 500 pesos. O preço de um trem que viaja a 120 km/h poderia sair por 20 pesos. No trem bala viajariam os 11 jogadores do Palmeiras (a minha equipe de coração no Brasil), ao passo que no trem convencional viajaria toda a equipe mais a torcida. Hoje em dia há centenas de milhares de pessoas que viajam em péssimas condições e obrigadas a pagar preços de empresas monopólicas em estradas e rodovias colapsadas, e vem nos falar de trem bala… Construir o trem bala é diretamente transferir recursos desde as maiorias para as multinacionais estrangeiras e manter um serviço subsidiado por todos para um grupo reduzido de executivos e turistas VIP que poderão escolher entre viajar de avião ou de trem bala… É um desgaste que não podemos permitir. 

Em que pé está o projeto de trem bala na Argentina?  

O trem bala está “em espera” por causa do custo político que o governo não pode afrontar devido ao rechaço que desperta em toda a sociedade. As pessoas fazem filas para assinar as listas. Além disso, a crise econômica deixa às claras esta negociação imposta pelo Clube de Paris, diretamente relacionado com a renegociação de nossas dívidas externas fraudulentas. 

Nos governos ditatoriais sul-americanos, em especial aqueles sob as asas da Operação Condor, a privatização de ferrovias (e de outros bens públicos) foi bastante comum. Mas, na Argentina, antes o setor já havia sofrido um desmonte. Como foi? E como funcionou a reversão durante os governos de Perón?

 

Como disse um grande defensor do nosso patrimônio público, Scalabrini Ortiz, a história das ferrovias “reconforta, assombra e indigna”. A ferrovia argentina nasce em 1854 e desde então esteve vinculada a diversos interesses em ocasiões contrapostas. A extensão da fronteira com o índio, o desenvolvimento e a integração regional com as ferrovias estatais, os interesses imperialistas ingleses e franceses, que pressionam para apoderar-se e controlá-lo, a renacionalização em 1946 e finalmente o lobby automotor que iniciou o retrocesso e que continua até hoje. Desde o começo, a ferrovia em mãos do Estado demonstrou que era mais eficiente que nas mãos privadas e realizou uma tarefa essencial de integração e fomento regional. Quando esteve em mãos inglesas e francesas, primou pelo interesse de fazer lucros extraordinários e servir para extrair matéria prima exportável aos grandes centros industriais. A renacionalização durante o primeiro governo peronista foi positiva para um projeto de independência econômica do país. Já em 1958, no governo Frondizi, o plano que obedecia às linhas impostas pelo General estadunidense Larkin marca uma inflexão e o trem começa a ser desbancado pelo transporte automotor impulsionado pelas grandes montadoras. Na última etapa, a partir da ditadura de 76, com terrorismo de Estado e liberalismo econômico, e especialmente durante o menemismo dos 90, o abandono, o corte de financiamento e a sabotagem externa e interna das empresas públicas abriram o caminho para a liquidação das ferrovias. 

Voltando a falar de Pino Solanas e de privatizações, em “La próxima estación” ele narra o caso de Patrícios, uma cidade que praticamente desapareceu depois do desmonte promovido por Carlos Menem no setor ferroviário. Não é um caso isolado, não? Como a reativação de 18 mil quilômetros de linhas mudaria as realidades locais?

 

Logo do fechamento e saqueio das ferrovias, 800 povos do interior se converteram em “povos fantasmas”, milhares de pessoas são expulsas aos cinturões de pobreza das grandes cidades e as rodovias colapsam, provocando mais de 8.000 mortes em acidentes de trânsito só em 2008. Há numerosos estudos a respeito: “Ferrocídio”, de Juan C. Cena, é testemunha disso, mas basta percorrer o interior do país para deparar-se com estações abandonadas e povos deprimidos que esperam a volta do trem para reviver. O trem levava e trazia as famílias, transportava pequenas conduções regionais, dava trabalho, levava água a regiões que necessitavam, integrava o país. Por isso, a volta do trem é necessidade de todo o interior. Além disso, façamos uma conta muito simples: o transporte de carga a grandes distâncias por trem é quatro vezes mais econômico que o transporte automotor. 

Ainda em relação a Menem, para quem não viu o filme, qual o destino tomado pelo patrimônio das empresas estatais de ferrovias? Hoje, o governo segue subsidiando essas companhias? Em troca, o que recebem os usuários? 

 

O destino foi o saqueio, o desmantelamento e a venda de locomotoras e vagões como sucata, o roubo de tornos, trilhos, galpões inteiros. Hoje em dia, o governo subsidia as empresas ferroviárias concessionárias que só mantêm um mínimo de sistema em mau funcionamento e se esqueceram do transporte de passageiros. Nenhuma dessas empresas privadas fez os investimentos prometidos por contrato e, no entanto, cobram subsídios milionários. Na Grande Buenos Aires, um dos poucos lugares do país que ainda tem transporte de passageiros, as pessoas viajam como gado e frequentemente “explodem” em reação ao péssimo serviço, descarregando sua ira, quebrando ou incendiando os vagões, que logo o mesmo Estado se fará responsável por reparar… 

No Brasil, está em forte andamento um projeto de trem bala para conectar São Paulo e Rio de Janeiro com investimento de US$ 11 bi para um trecho de 500 quilômetros. Vocês já tiveram algum contato com o tema, conversaram com alguma organização por aqui?

 

Sabemos do projeto São Paulo-Rio, mas não tivemos contato com grupos brasileiros. Conversamos sim com organizações italianas e bascas que se opõem à construção de trens similares em seus respectivos territórios por questões de meio-ambiente, econômicas, geográficas e de prioridades no investimento público. Gostaríamos muito de poder ter contato com organizações brasileiras por esse tema. 

Parece contraditório que governos ditos de esquerda priorizem um projeto que é claramente elitista? 

Na Argentina, a classe média não teria acesso ao trem bala, apenas uma classe “VIP”, muito reduzida. Por aqui, o que acontece é que uma coisa são os discursos, e outra as medidas reais. Subestima-se demasiadamente a população ao querer convencê-la de projetos faraônicos e envolvidos em uma máscara de progresso.

Para nós, há algo que está muito claro: o trem bala não surge de uma necessidade de nosso país, de nosso povo, ninguém por essas pampas pediu nem discutiu isso. É uma imposição que responde a outros interesses.

O Tren para Todos, por outro lado, é pedido por milhares de povos e cidades. É, sim, nossa necessidade social, econômica e socioambiental. (cc)

¡a la revolución, pues!

28/04/2009 § 1 comentário

Rafael Correa celebró su más reciente triunfo electoral -el sexto en tres años- con una pequeña fiesta en el Palacio de Carondelet, en Quito, la mañana de este lunes. Allí, los funcionarios del gobierno le esperaban con globos verdes, color de su partido, Alianza País, alegría y muchos aplausos.

El presidente ecuatoriano, entonces, hizo uso del micrófono para agradecer el apoyo de todos y prometer cuatro nuevos años de “trabajo, trabajo y más trabajo”. Se despidió con un “hasta la victoria, siempre” y subió al Salón Amarillo para hablar con la prensa extranjera.

Los votos todavía no acaban de ser apurados por el Consejo Nacional Electoral, pero el Ecuador ya sabe quien será el próximo presidente. Rafael Correa tiene poco más de 50 por ciento de la preferencia popular, suficiente para darle la victoria ya en la primera vuelta.

Ha obtenido la mayoría de los escrutinios en 19 de las 24 provincias ecuatorianas. Con más o menos tranquilidad, ganó en Galápagos, en la Costa y en prácticamente toda la región andina. Sus principales reveses se dieron en la Amazonía, lugar de nacimiento de Lucio Gutiérrez, segundo colocado en los comicios con alrededor de 30 por ciento de los votos, sorprendentes si nos acordamos de que las encuestas no le daban más de 20.

Masacre electoral

Correa clasificó su éxito en las urnas como un “espaldarazo político”. A los dos años y cuatro meses de gobierno -tras la convocatoria de una Asamblea Constituyente y la aprobación de una nueva Constitución en referéndum popular- ésta sin lugar a dudas es su principal victoria. Las elecciones del último domingo le dan la legitimidad que deseaba y esperaba para continuar implementando su Revolución Ciudadana.

Y tal es su objetivo para el próximo mandato. “Más que cambiar de rumbo, se trata de profundizar los cambios que ya hemos iniciado, hacerlos más radicalmente, más aceleradamente”, garantizó Rafael Correa. “Esperemos que la oposición se comporte con espíritu democrático y entienda el mensaje categórico que ha dado el pueblo ecuatoriano”.

El presidente dio señales de la dirección de esta nueva etapa de la Revolución Ciudadana al decir que pretende “profundizar el cambio institucional, que empezó con la Constitución y que necesita una serie de leyes”. Entre ellas, Correa citó las leyes antimonopolios, de empresas públicas y de la enseñanza superior.

La educación y la salud deben ser los destaques del siguiente gobierno de Correa. De alguna manera, ya lo fueron en este primer mandato. La opinión general es que ahora los ecuatorianos “realmente” tienen escuelas y hospitales públicos gratuitos. Ya no necesitan comprar libros didácticos para sus hijos o material médico -como jeringas, medicinas o agujas- para tratar de su salud.

Un nuevo sistema

Aún queda mucho por hacer, pero Correa promete “mejorar la calidad y cantidad de la educación pública para que, de aquí a ocho o diez años, nadie necesite de escuelas privadas -a no ser por fines confesionales- porque se podrá encontrar en este sector público una educación de calidad y excelencia. Algo similar haré en cuanto a hospitales y vivienda”.

El presidente reconoce, sin embargo, que la profundización de su proyecto “revolucionario” difícilmente va a ocurrir dentro de la actual correlación de fuerzas sociales. Rafael Correa cree en la ampliación del poder popular para que los cambios puedan llegar, no dentro del capitalismo, sino en el marco del Socialismo del Siglo XXI.

“No tenemos que encontrar soluciones dentro del mismo sistema que está colapsado, sino construir algo nuevo y mejor, por ejemplo, nuestra propia arquitectura financiera regional para acabar con la dependencia. Ellos ya no necesitan bombas, barcos o aviones para someter a nuestros países, necesitan dólar. Éstas han sido las armas utilizadas por medio del FMI y del Banco Mundial”.

Nuestro norte es el sur

En este sentido, el presidente quiere continuar con lo que define como “política de apertura” a todos los países del mundo “en un marco de mutuo respeto”. Su gran apuesta, sin embargo, está en la integración latinoamericana y en la construcción de la “patria grande con que soñaba San Martín”.

Rafael Correa cree en el Banco del Sur como mecanismo regional de crédito y desea consolidar la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), haciéndola efectiva y traduciéndola en acciones concretas en beneficio de la población.

“Uno de los grandes errores, sobre todo del enfoque integracionista de los últimos años, es que fue una integración comercial”, dijo. “Se trataba de buscar más grandes mercados basado en el absurdo de la competencia. Éste es un concepto ya muy discutible a nivel de agentes económicos, aún más entre países hermanos”.

El presidente ecuatoriano propone un nuevo enfoque de coordinación, complementariedad y cooperación que trascienda el tema comercial y actúe directamente en la autosuficiencia energética y la soberanía alimentaria.

Igual que todos los países latinoamericanos, el Ecuador sufre con la desigualdad. Por eso, Rafael Correa apuesta en la construcción de una democracia nacional combatiendo exactamente este mal. “Yo sostengo que Ecuador y América Latina tienen elecciones, pero lo que tenemos que tener es democracia. Y no habrá democracia mientras haya tanta injusticia, tanta desigualdad, tanto impunidad”.

La Asamblea

Rafael Correa probablemente no tendrá dificultades para “profundizar” la Revolución Ciudadana en lo que ésta dependa de la Asamblea Nacional. Los votos para asambleístas apenas comienzan a ser apurados, pero Alianza País ya contabiliza cerca del 45 por ciento de la elección popular. El monto -sumado al de los partidos que hacen parte de la base gobiernista- garantizan una mayoría absoluta para el proyecto del presidente.

Así las cosas, Fernando Cordero, que encabeza la lista de Alianza País y preside el Congreso de Transición, promete empeño para aprobar rápidamente las leyes pendientes antes de que tome pose la nueva Asamblea. “Estamos obligados a no perder tiempo. Todas las leyes que estén maduras y avanzadas en su debate, las aprobaremos”.

Como ejemplo, cita la Ley de la Función Legislativa, porque “sería una irresponsabilidad encontrarle a la nueva Asamblea sin la ley orgánica, sería un caos el primer día porque no tendríamos una ley para aplicar”, dijo.

Sobre las relaciones rotas de Alianza País con el movimiento indígena, Cordero dijo que seguirá invitando a todas las organizaciones plurinacionales a seguir encontrándose con la Revolución Ciudadana, “que también les pertenece. El triunfo es también del movimiento indígena, nosotros no lo hemos destruido nunca”. (c)

el voto de uniforme no es un consenso

28/04/2009 § Deixe um comentário

Dos categorías profesionales emergen como nuevos actores políticos en el Ecuador tras los comicios de este domingo. La Constitución aprobada en septiembre del 2008 les ha permitido a policías y militares el derecho al voto. Ellos sin embargo no están obligados a acudir a las urnas. Van los que pueden y los que quieren.

No todos los uniformados tienen condiciones de votar. Eso porque la Policía Nacional y las Fuerzas Armadas deben garantizar la seguridad de los comicios ecuatorianos. La posibilidad de votar, pues, está condicionada al trabajo de cada uno. Si están destacados a vigilar la votación en su propio recinto electoral, no hay problema. Si no, no. “Estoy trabajando aquí pero voto en un colegio que está en el otro lado de la ciudad. Entonces nos han orientado a no votar”.

El mayor Francisco Aguilar, empero, tuvo la posibilidad de rellenar la papeleta electoral y depositarla en la urna por la primera vez en su vida. “Es una situación importante para cada uno de nosotros, porque también participamos de este proceso cívico y tenemos la posibilidad de elegir a las personas que van a dirigir nuestro país”, dijo.

Sin embargo, hay uniformados que están en contra del voto. “Me parece muy mal que los policías y los militares podamos elegir nuestros representantes”, contó bajo la condición del anonimato.

“Nuestras instituciones son como un puño”, explica cerrando la mano. Después, dedo tras dedo, los va abriendo mientras nos cuenta: “Si yo simpatizo con determinado candidato, mi compañero con otro y otro compañero con otro, la mano se abre. Y una mano abierta no tiene la misma fuerza que un puño cerrado.”

Aún así, votó. Y sólo lo ha hecho porque está en contra del gobierno. ¿No te parece bien poder manifestar esta contrariedad a través del voto? “No. Somos cerca de 100 mil hombres en las dos fuerzas. La entrada de la política nos puede dividir. Imagínate cómo sería eso”, responde.

Aunque hayan adquirido derechos políticos con la nueva Constitución, muchos uniformados se rehúsan a decir qué piensan de ello: “estamos prohibidos de dar cualquier información” o “no te puedo decir lo qué pienso” son las excusas que, desconfiados, le dan a los periodistas que se les acercan para una pregunta.

Solamente el coronel Raúl Silva, encargado de la seguridad interna de uno de los recintos electorales de Quito, ha aceptado hablar sobre la disposición constitucional. “Espero que nuestro personal lo haga de una forma democrática y responsable.”

Además de los uniformados, la nueva Constitución ecuatoriana también da derecho al voto a los reos y los adolescentes de 16 años. (c)

“queremos mucho a brasil”

28/04/2009 § Deixe um comentário

El presidente ecuatoriano Rafael Correa acudió a votar a las 8:30 de la mañana en un colegio al norte de Quito. Un inmenso aparato de seguridad, con agentes especiales, policías y militares le acompañó desde el vehículo oficial hasta la urna.

Antes de alcanzar la mesa de votación, el mandatario se detuvo para abrazar y besar a algunos niños. También compró un refresco de los vendedores que por allá estaban y plastificó su comprobante de voto por 25 centavos.

En su llegada, el mandatario dijo que el principal ganador de los comicios ecuatorianos de este domingo será el pueblo ecuatoriano y la democracia.

“Ya Ecuador ganó, porque estamos viendo una verdadera fiesta democrática. Todos acudieron a las urnas con alegría, con convicción, con esperanza.” Rafael Correa también habló sobre qué está en juego en estas elecciones. “En nuestras manos está o volver al pasado o continuar con el cambio, continuar con el futuro, continuar la búsqueda de la justicia.”

Tras echar su voto, el presidente aún declaró que las relaciones de su futuro gobierno con Brasil serán las mejores de la historia. “Nuestras relaciones están en un nivel óptimo. Siempre hemos querido muchísimo a Brasil y al gobierno del compañero Lula.”

En su salida, algunos militantes del Partido Sociedad Patriótica gritaron el nombre de Lucio Gutiérrez. En respuesta, los simpatizantes de Correa devolvieron las insignias. La policía se puso en el medio de los dos grupos y todo terminó bien.

Esta mañana Rafael Correa todavía acompaña al candidato de Alianza País a la alcaldía de Quito. Por la tarde, se traslada a Guayaquil, donde estará al lado de su mamá durante la votación y, luego, de los candidatos del partido en la ciudad. (c)

miradas hacia rafael correa

28/04/2009 § Deixe um comentário

El periodista Kintto Lucas define a Rafael Correa como un “extraño” en la presidencia ecuatoriana. “Es una figura diferente de todos los mandatarios anteriores. Surgió de sectores no tradicionales de la política, pero con una visión progresista que no había existido antes en el gobierno”, dice.

Lo que podríamos llamar de “orígenes políticas” de Rafael Correa están los en grupos cristianos de los cuales hizo parte en su juventud. Tales grupos estaban más vinculados a corrientes progresistas de la democracia cristiana y no a la teología de la liberación.

El giro de Correa a la izquierda viene -según Kintto- cuando empieza a estudiar economía. El actual presidente del Ecuador se graduó en la Pontificia Universidad Católica de Guayaquil, misma ciudad en donde nació. Luego se especializó en EEUU y Bélgica. Trabajó para el Banco Interamericano de Desarrollo y, más tarde, ejerció como profesor de la Universidad San Francisco de Quito.

“Cuando Correa empieza a dar clases e investigar el tema económico, se da cuenta de cómo se estructuraba la economía y se siente golpeado”, analiza Kintto. “Eso le lleva a la izquierda o, más bien, a un pensamiento económico de izquierda, que no logra ser un pensamiento político.”

El ascenso

Su surgimiento como candidato a la presidencia viene de la corta actuación que tuvo en el Ministerio de Economía. Tras la caída de Lucio Gutiérrez, en 2005, Correa es nombrado por el gobierno Alfredo Palacio para dirigir las finanzas del Ecuador.

Algunas medidas que tomó como ministro le valieron una popularidad casi instantánea. Una de ellas fue acabar con las oficinas que el Fondo Monetario Internacional y el Banco Mundial mantenían dentro del edifico que abriga al Ministerio de Economía.

“De ahí a ser candidato a la presidencia fue fácil. Él era la figura a la izquierda que podía ganar. Entonces distintos sectores se agruparon en torno a él”, destaca Kintto.

Inestabilidad política

Para entender el acenso de Correa también es importante subrayar la historia reciente de la política ecuatoriana. Entre 1996 y 2006 pasaron por el Palacio de Carondelet siete gobiernos diferentes. En un intervalo de apenas diez años, se contabilizaron tres golpes de estado -contra Abdallah Bucaram, Jamil Mahuad y Lucio Gutiérrez- promovidos o por movilizaciones populares o por las Fuerzas Armadas o por los dos cosas. En el año 2000, el Ecuador vivió una noche bajo un Triunvirato.

“Todas las movilizaciones que se han realizado en los últimos años, junto con demandas específicas de los sectores sociales, han puesto en cuestión la lógica del modelo neoliberal”, nos dice Alex Zapatta, sociólogo del Centro de Investigaciones para el Desarrollo.

Rafael Correa pudo unificar electoralmente a la mayoría del país en un momento en que el sistema político ecuatoriano había llegado al punto más alto de su crisis de legitimidad. Mientras botaban a Lucio Gutiérrez en las protestas que cercaron el centro de Quito en 2005, los manifestantes gritaban “¡Que se vayan todos!” El descontento iba mucho más allá que la discordancia con este o aquel presidente.

“No se trataba sólo una crisis de institucionalidad, del régimen político o resultado de la corrupción. Esta es la crisis del capitalismo dependiente, del modelo de acumulación y de la estrategia neoliberal. Hay una quiebra en la dominación política y una crisis de hegemonía”, escribe Andrés Rosero, economista de la Escuela Politécnica Nacional. En otras palabras -según esta interpretación- las élites que venían dominando la escena política ya no lograban presentar su interés particular como intereses generales.

La oportunidad

En respuesta a las demandas populares, Correa propuso en la campaña combatir a la “partidocracia”. A las voces que se levantaban en contra del neoliberalismo, el presidente prometió una nueva Constitución que transformaría la economía de mercado en una economía social y solidaria.

“De ahí el discurso de Correa en sus primeros días como presidente: ‘Se acabó la larga noche neoliberal’. La convocatoria de la Asamblea Constituyente suponía la necesidad de tener un marco institucional distinto al que había dado piso y sustento a la implementación de políticas de ajuste estructural y estabilización macroeconómica”, concluye Alex Zapatta.

Para atender a las exigencias del cambio, su gobierno elaboró la Revolución Ciudadana y anunció: “La Patria ya es de todos”. Para ello, Correa encarnó muchas de las demandas del movimiento indígena, el más fuerte del país. Entre ellas están los principios que definen la Constitución ecuatoriana como una de las más populares de Latinoamérica. Además de invocar la protección de la Pacha Mama, la Carta garantiza los derechos de la naturaleza, el buen-vivir y la plurinacionalidad.

Los matices del cambio

Todo este escenario debería definir un proceso de cambio que Alberto Acosta, ex presidente de la Asamblea Constituyente, describe como “un intento por transformar el Ecuador con amplia participación de la ciudadanía, en donde no puede haber alguien que aparezca como el portador de la voluntad política colectiva.”

En este contexto estarían garantizadas a las nacionalidades indígenas un relativo grado de autodeterminación cultural dentro de sus comunidades, que respetasen la vigencia de sus costumbres ancestrales en vez de ubicarles unilateralmente bajo valores europeos -como ha pasado desde la dominación española-. Se debería también, en las palabras de Acosta, destinar esfuerzos hacia una concepción de la política que privilegiara la “vida en armonía del ser humano consigo mismo, con sus congéneres y con la naturaleza”. Pero, de momento, estos conceptos no salen del papel.

“Correa sabe que un proceso de desarrollo que respete la naturaleza, que no explote el petróleo o la minería, tiene impactos políticos que pueden poner en riesgo su estabilidad”, afirma Francisco Hidalgo, sociólogo de la Universidad Central del Ecuador.

La doble oposición

La izquierda critica ferozmente al presidente por haberse quedado a medio camino de un cambio profundo. La derecha, a su vez, le llama radical y extremista. Entre estos dos puntos de vista, sobresale la Revolución Ciudadana de hecho, un proyecto que en la práctica ha reconstruido la infraestructura pública en salud y educación, renegociado los contratos de explotación petrolífera en beneficio del estado, verificado la legalidad y legitimidad de la deuda externa, expulsado la CIA del país, exigido de los más ricos el pago de los impuestos que debían al fisco e incentivado a la incipiente industria nacional.

Sin embargo, no ha cambiado las características generales del modelo de desarrollo. La propiedad privada está garantizada, la reforma agraria todavía no viene, las líneas de financiación con organismos internacionales de crédito continúan abiertas, las inversiones extranjeras son bienvenidas y -más que nada- la economía extractivista y primario-exportadora no ha sido tocada.

Como dice el ex presidente de la Asamblea Constituyente, “hemos sido un país cacaotero, bananero, floricultor, camaronero, petrolero y ahora se sueña con ser un país minero. Me creo que eso es un error.”

Desarrollismo

La Ley de Minería aprobada en enero es el gran ejemplo de las limitaciones de la Revolución Ciudadana. Por eso, los expertos entrevistados la definen como un retorno al modelo desarrollista propuesto por la Comisión Económica para América Latina y Caribe (Cepal) en los años 1960 y 1970. Y eso se refleja sobre todo en la mayor presencia del estado en la economía y en la política de sustitución de importaciones. Por lo tanto, nada de socialismo del siglo XXI.

Para Kintto Lucas, el problema es ubicar a Correa como revolucionario o como izquierda radical. “Si lo ubicas ahí, te equivocas, porque esperas cosas que su gobierno no va a hacer. En cambio, si lo ubicas como lo que es -un tipo progresista, preocupado con la economía- entonces llegas donde se puede llegar.”

De todas formas, Rafael Correa y la Revolución Ciudadana esperan los resultados electorales del domingo para -tal vez de una vez por los próximos cuatro años- definirse a sí mismos y acabar con la ambigüedad que flota sobre su imagen y su discurso. (c)

para acabar con la lucha de clases

25/04/2009 § 1 comentário

foto: raoni maddalena

El electorado ecuatoriano conoce muy bien a Álvaro Noboa. Quizás porque ésta sea la cuarta vez que se postula a la presidencia. En 1998 perdió para Jamil Mahuad, que fue derrumbado tras dolarizar la economía del país. En 2002, su derrota vino con el éxito de Lucio Gutiérrez, que también cayó a los dos años de gobierno. Su último intento fracasó ante el carisma de Rafael Correa, en 2006. En todas las oportunidades, sin embargo, llegó a la segunda vuelta.

Pero es la economía es su área de destaque. Álvaro Noboa es uno de los hombres más ricos del Ecuador. Pasó parte de su juventud en un internado en Europa, estudió abogacía y heredó el timón del imperio empresarial que su papá -el viejo Luís Noboa- construyó de la nada a partir de la exportación del banano. Su fortuna personal es calculada en aproximadamente mil millones de dólares.

Muchos creen que “Alvarito” tiene la vida ganada desde que nació y que, por tanto, no necesita la presidencia. El millonario, empero, dice que no descansará mientras no acabe con la pobreza de la nación. Poco antes de subirse en su avioneta privada rumbo a Guayaquil, en donde vive, el líder del Partido de Renovación Institucional Acción Nacional (Prian) me explicó cómo pretende transformar el Ecuador en un país de primer mundo.

>> publicado en terra magazine

¿Por qué tantas candidaturas a la presidencia?

Abraham Lincoln, Salvador Allende, Lula y Rodrigo Borja -que fue una vez presidente del Ecuador- intentaron muchas veces antes de conseguir una victoria. ¿Por qué Álvaro Noboa se postula nuevamente? Porque el Ecuador sigue siendo pobre y porque aquellos que me robaron la presidencia en 1998 y luego Lucio y luego Correa no han podido cambiar el Ecuador. Mientras el problema no se resuelva, continuaré intentando hasta cumplir la misión de mi vida, que es erradicar la pobreza y convertir el Ecuador en un país de clase media en donde haya salud y educación. Quiero que toda la gente viva como vive la clase media en Argentina, en Chile y como el 50 por ciento del Brasil hoy día. Brasil era un país pobre, muy similar al Ecuador. Ahora el 50 por ciento de los brasileños tiene casa, automóvil, educación y salud. Mientras no logremos este nivel, yo seguiré corriendo para presidente.

¿Cuáles son sus principales críticas al gobierno Correa?

Todas. Ha sido un gobierno demagogo. Actualmente el Ecuador está por la demagogia. En los últimos diez años hemos pasado por Fabián Alarcón, Jamil Mahuad, Gustavo Noboa, Lucio Gutiérrez, Alfredo Palacio y Rafael Correa, ocho mandatarios que no han podido resolver absolutamente nada. Todos entran muy demagógicamente, prometiendo “el bolo y el moro” -o sea, dinero y alimentación- y sin embargo no lo resuelven y al poco tiempo caen en popularidad. Y caen del gobierno. Aquí ha habido muchas caídas del poder, pero ahora no va a ser necesario que caiga Correa porque democráticamente va a ser derrotado en las próximas elecciones. En la primera vuelta yo soy -de acuerdo con mis números- el más opcionado. Van a entrar primero yo, segundo Correa, lejos, tercero Lucio y cuarto Martha Roldós, lejos también. Hoy en el país hay más anticorreísmo que correísmo. Entonces cualquiera que entre con Correa en la segunda vuelta será presidente por la cantidad de anticorreísmo que hay.

¿Qué propone en las relaciones con los Estados Unidos?

Quiero fortalecer relaciones con todos los países, sobre todo con los países con los que tenemos buena relación comercial, como Estados Unidos, Europa Occidental, Japón y China.

¿Cómo ve las relaciones con Colombia?

Estuvo muy mal de parte de Colombia entrar en Ecuador sin permiso para atacar a los terroristas. Estoy de acuerdo con que se debe atacar a los terroristas, pero en el futuro pienso reanudar las relaciones con Colombia condicionadas a que todo trabajo contra el terrorismo en territorio soberano ecuatoriano se haga a partir de un acuerdo entre el gobierno de ambos países.

¿Con Hugo Chávez, de Venezuela?

Mantendré relaciones políticas y comerciales, aunque, lamentablemente, no tenemos mucho comercio entre Venezuela y Ecuador. En lo político, le exigiré a Chávez que nunca más se vuelva a meter en la política externa del Ecuador, porque él hace las veces de padrino de Correa, de Evo Morales y Daniel Ortega, y eso me parece un imperialismo inaceptable.

¿Qué piensa del problema que hubo con Odebrecht y la deuda al BNDES de Brasil?

Resolveré con el presidente Lula todo impasse que haya porque creo mucho en el Brasil. Es el país más desarrollado y la potencia económica de Latinoamérica, y es muy importante algún día unir a toda Latinoamérica desde México… Yo quisiera verdaderamente unir a toda América, desde Canadá hasta Brasil, en uno solo país.

¿Cuál es el presidente latinoamericano que mejor le cae?

Conozco a varios, pero la presidenta Michelle Bachelet me dio muy buena impresión. Ella es socialista y yo soy liberal, pero me parece una mujer seria y que además ha impulsado el libre comercio a pesar de sus ideas socialistas.

Su proyecto para Ecuador, ¿cuál es?

En líneas generales es convertir el Ecuador de un país de tercer mundo en un país de primer mundo.

¿Cómo?

Desarrollando la educación y desarrollando la empresa. Lo que propongo para transformar al Ecuador es desarrollar dos cosas simultáneamente: la educación y las empresas. A las empresas, darles toda la libertad, la protección necesaria, acabar con la lucha de clases, bajar los impuestos a la renta para que vengan a invertir en Ecuador, que vengan de Brasil, Argentina, Europa, Estados Unidos, desde donde sea. Al mismo tiempo en que las empresas van llegando a Ecuador, prepararé un plan educativo masivo y popular para darle primero un diploma de profesión media a los ecuatorianos y, luego, un diploma universitario. El Ecuador tiene muchos recursos naturales. Tiene gas, que nunca ha sido explotado, tiene cobre, oro y tiene petróleo -muy mal administrado-. Además tenemos una gran capacidad turística, tenemos las Islas Galápagos, la Amazonía para hacer ecoturismo, los Andes, la Costa tropical. Tenemos todo a nuestro favor. Entonces es muy importante crear y desarrollar fuentes de trabajo aquí en Ecuador explotando nuestros recursos naturales.

¿Usted es de derecha, de centro o de izquierda?

Soy de derecha para generar empleo. Para producción y empleo, de derechas. Y de izquierda para la justicia social, porque en la historia de la humanidad siempre los mejores programas sociales los ha traído la izquierda, y los mejores programas de producción los ha traído la derecha. En lo que es ideología política y productiva, soy una persona liberal. En lo que es servicio social, soy de izquierda. Yo quisiera gobernar con los dos: tener los mejores hombres de derechas para que ayuden a la producción nacional y los mejores hombres de izquierda para lo que es educación, salud, seguridad social, eso en lo que la izquierda es verdaderamente muy buena.

¿Qué piensa de la nueva Constitución?

Primero que no fue la que los asambleístas discutieron, fue cambiada de una manera mágica en los últimos momentos y no es la que fue discutida originalmente en la Asamblea. Segundo, es una Constitución hecha para la extrema izquierda, y este país no es sólo de extrema izquierda, aquí hay gente de centro, de derechas y de izquierdas, y esa es uno de los fallos más graves de Rafael Correa: no sabe gobernar sino sólo con los suyos y para los suyos, que son la gente de extrema izquierda. Toda gente de centro o de derechas, que no piensan como él, están ahora resistiéndolo de una manera terrible, muchos de ellos odiándolo, muchos de ellos manifestándose en contra, y eso trae convulsión nacional.

En el caso que gane Correa, ¿cómo va a ser la actuación del Prian en la Asamblea?

Tendremos que seguir luchando. Si gana Correa, continuará la pobreza en el Ecuador. No me queda más, hasta morir, que seguir luchando para que se acabe la pobreza y mostrarle al impueblo del Ecuador los errores que va cometiendo el gobierno, solidarizarme con el pueblo, con la miseria, porque si gana Correa, de pobreza entrará en miseria el Ecuador, y estaremos al borde del abismo.

¿Cuál sería su primera medida como presidente, si gana?

Llamar a un plebiscito para corregir ciertas partes básicas de la Constitución que nos permitan desarrollar la inversión en Ecuador. La propiedad privada en Ecuador en este momento está condicionada a un servicio social. Entonces, nadie quiere poner una fábrica, un campo, un hotel aquí, porque si el gobierno de turno decide a dedo que no da servicio social, le quitarán la fábrica, el hotel y todo. (c)

tenemos que imitar a los países exitosos

24/04/2009 § Deixe um comentário

foto: raoni maddalena

Lucio Gutiérrez tiene memorizada la fórmula para hacer del Ecuador un país exitoso. Todo empieza garantizándose la propiedad privada. Así se puede atraer inversiones internacionales, generar empleo y reducir la delincuencia. Para agilizar el proceso, propone tratados de libre comercio con los EEUU, la Unión Europea y los países asiáticos. Sin embargo, no se define como un neoliberal. Se dice nacionalista de centroizquierda.

Este general retirado es el líder del Partido Sociedad Patriótica (PSP). Gobernó el Ecuador democráticamente entre 2003 y 2005, cuando fuertes manifestaciones populares le forzaron a renunciar y exialiarse en Brasil. Antes, empero, intentó llegar al poder tras un golpe de estado. Y lo logró, el año 2000, pero sólo por una noche -el tiempo de vida del Triunvirato del cual hizo parte tras la caída del presidente Jamil Mahuad-.

En esta entrevista, Lucio Gutiérrez explica a Terra Magazine los valores que defiende su candidatura y aclara las diferencias que guarda en relación al actual presidente -y su adversario- Rafael Correa.

>> publicado en terra magazine

¿Quién gana el domingo?

Estamos seguros de que vamos a pasar a la segunda vuelta electoral y en primer lugar. Ésta es una buena noticia para el Ecuador, porque con Lucio Gutiérrez volverá la estabilidad económica, tendremos una sola moneda de circulación nacional, que será el dólar, y volverán las inversiones, porque la confianza que tenía Lucio Gutiérrez -y que Rafael Correa perdió- la vamos a recuperar. Con las inversiones, vamos a generar fuentes de trabajo, porque eso es lo que más necesita Ecuador.

¿Cuál la diferencia entre el Lucio Gutiérrez de ahora y el que fue derrumbado?

Lucio Gutiérrez ahora se presenta como una persona renovada, con mayor experiencia, que aprendió de los errores políticos cometidos en el pasado y que va nuevamente a estabilizar la economía del país. Con más conocimiento, haremos un mejor gobierno que el que hicimos en el mandato 2003-2005, en que el Ecuador tuvo la inflación más baja y el crecimiento más alto de toda la historia y, por primera vez, total estabilidad económica. Eso es lo que añora el pueblo ecuatoriano. El pueblo compara entre dos presidentes que han estado el mismo tiempo: Lucio Gutiérrez, dos años y cuatro meses, y Rafael Correa, dos años y cuatro meses, con resultados totalmente diferentes. Mientras Lucio asumió un país en crisis y entregó un país en crecimiento, Rafael Correa recibió un país en crecimiento y nos entrega un país en crisis, en donde el sueldo no alcanza, en donde nadie invierte y el desempleo se ha incrementado de manera dramática, en donde la delincuencia no nos deja tranquilo ni en el día, peor en la noche.

¿Qué piensa de la nueva Constitución?

La nueva Constitución tiene que ser reformada en algunos artículos, comenzando por el prólogo. No podemos colocar primero la invocación a la naturaleza, en segundo a la Pacha Mama y en tercero a Dios. O somos cristianos o no lo somos, o respetamos a Dios o no lo respetamos. Con Lucio pues lo vamos a respetar, vamos a invocar únicamente la protección de Dios. Otra reforma que haremos es que se debe respetar la vida desde la concepción y no como está puesta en la actual Constitución, que deja una dualidad para permitir el aborto. Igualmente vamos a pedir una reforma para que se garantice la absoluta tranquilidad de la propiedad privada. Esta Constitución es dual y no la asegura. Eso ahuyenta las inversiones. También presentaremos una reforma para que el presidente ¿si quiere ser reelecto¿ tenga que renunciar a su cargo o pedir una licencia sin sueldo. No es posible que se genere una competencia inmoral y antiética como la que realiza el presidente Correa, que se está gastando el dinero del pueblo ecuatoriano para hacer campaña electoral.

¿Cómo sería la política externa de Lucio Gutiérrez?

Será una política seria y responsable, en la que lo primero que haremos será retomar las relaciones diplomáticas con Colombia, reforzar la amistad y el comercio con los países americanos, con los países europeos, con los países con los cuales el Ecuador tiene intereses comunes, y no lo que está sucediendo con Correa, que prioriza su ideología extremista a los intereses del país. Por eso ha roto relaciones con Colombia, ha creado problemas con EEUU y con Brasil y priorizado las relaciones con naciones con las cuales no tenemos intereses comunes, como es el caso de Irán, por ejemplo.

¿Cómo sería su relación con Hugo Chávez?

Será de respeto. No me inmiscuiré en los asuntos internos de Venezuela, pero tampoco voy a permitir que Chávez haga lo que está haciendo actualmente en el Ecuador, dando disposiciones para que Correa las cumpla o indicando que la moneda nueva para la región será el sucre. Eso Chávez lo puede hacer con Correa porque Correa actúa como su subalterno. Pero con Lucio habrá un presidente soberano para el Ecuador, que hará respetar las decisiones internas de nuestro país.

Usted es acusado de tener vínculos con las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia. ¿Qué tiene a decir sobre ello?

Ésta es una estrategia de Correa y de las FARC, desesperados ante el crecimiento de mi campaña y el decrecimiento de la de Rafael Correa. Le pregunto a Correa: ¿Por qué no presentó esta denuncia en los inicios de su gobierno? ¿Por qué esperó a la última semana de la campaña electoral para hacerlo? Porque saben las FARC que con Lucio no se pasearán en Ecuador como actualmente lo están haciendo.

¿Por qué se ha postulado otra vez a las elecciones tras ser derrumbado?

Porque Ecuador está sufriendo, porque ya demostré que sí se puede gobernar el Ecuador con estabilidad económica, en beneficio de la gente más pobre y manejando los recursos del país con disciplina. Y ahora, con mayor experiencia y mayor conocimiento, lo vamos a volver a demostrar, porque si no participamos de los comicios el Ecuador va a caer en un abismo del cual difícilmente lo vamos a poder rescatar. Es posible que Correa tenga buenas intenciones, pero está equivocado, escogió el camino que nos lleva al descalabro económico. El socialismo del siglo XXI ya fracasó en siglos pasados, no podemos regresar cien años atrás. Tenemos que avanzar, tenemos que imitar a los países exitosos, a los países que manejan los recursos del estado con seriedad y responsabilidad, y no imitar a países que están fracasando aquí mismo en América.

Usted habla en estabilidad económica, pero tuvo también una inestabilidad política que terminó con su gobierno. ¿Cómo va a afianzar esta estabilidad?

Hemos madurado también en este aspecto. Lucio tuvo el compromiso de cobrar las deudas a los banqueros y empresarios corruptos que se robaron el dinero del pueblo. Por comenzar cobrando las deudas a ellos -y por incautar a quienes no querían pagar las deudas- es que se reunió la oligarquía de Quito con algunos sectores de la oligarquía de Guayaquil, compraron conciencias en el Congreso Nacional, compraron la conciencia de cuatro generales traidores y me dieron el golpe de estado. Pero ahora todos ellos dicen que fue un error histórico haberme sacado a mí, porque crearon un monstruo que está destruyendo a la economía del país con propuestas totalmente demagógicas, que en algunos casos les han hecho a los ecuatorianos creer en mejores días, pero poco a poco el pueblo se va despertando de esa pesadilla y ahora reconocen que la única alternativa ¿que ya demostró eficiencia en el manejo de la economía del país- es la de Lucio Gutiérrez.

Si gana Correa, ¿cómo va a ser la actuación de Sociedad Patriótica en la Asamblea Nacional?

Tendremos una acción fiscalizadora, pero constructiva. No tendremos, como ya lo hicimos en los dos años y cuatro meses del gobierno de Correa, una oposición visceral. Apoyaremos lo que sea positivo para el país y nos opondremos frontalmente a todos los negociados y a todas las decisiones que vayan en contra de los intereses del pueblo.

¿Qué puede ser positivo para el país?

Las medidas que se tomen para atraer inversiones al Ecuador. Vamos a apoyar ¿si es que habrá medidas en este sentido¿ las que traigan inversiones, las que fortalezcan la seguridad jurídica, las que recuperen la confianza que lamentablemente se ha perdido con Rafael Correa.

¿Usted es un neoliberal?

Nosotros somos eminentemente nacionalistas. Si quieren ubicarnos de acuerdo con la vieja clasificación ideológica, estamos en la centroizquierda. Pero no somos centroizquierdistas cerrados a la banda, sometidos o coartados por la ideología. Somos centroizquierdistas de avanzada, modernos, pragmáticos, que tomamos las decisiones en base al interés nacional y todo que favorezca a nuestro pueblo. Somos nacionalistas, justicialistas, integracionistas, latinoamericanistas y profundamente humanistas. Todo nuestro esfuerzo se dirige hacia el objetivo de mejorar el bienestar de nuestro pueblo.

¿Usted prefiere en un Tratado de Libre Comercio con los EEUU o la integración latinoamericana?

Las dos cosas. Una integración latinoamericana, como nosotros lo vamos a impulsar, y también un TLC, no solamente con los EEUU, pero también con la Unión Europea y con el continente asiático. El Ecuador tiene que abrir nuevos mercados para crecer. Los países que se cierran, que se enconchan, son los países que no crecen. Los países que se abren son los que han crecido y nosotros vamos a seguir este ejemplo.

¿Cuál sería su primera medida como presidente?

Eliminar todos los ministerios creados de manera irresponsable por el actual presidente, porque es un despilfarro del dinero del pueblo ecuatoriano. (c)

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