favoritismo complexo

15/04/2009 § Deixe um comentário

Favoritismo é uma palavra que domina o vocabulário eleitoral equatoriano desde setembro de 2008, quando a constituição foi aprovada. Com ela, vieram as convocatórias para novas eleições. A partir daí o termo vem sendo  utilizado para descrever a posição privilegiada de Rafael Correa ante seus adversários.

Já nas primeiras pesquisas de intenção de voto, o presidente aparecia como o candidato de mais de 50 por cento do eleitorado. A tendência continuou com os últimos levantamentos, divulgados no começo de abril. Porque depois do dia seis – ou seja, vinte dias antes das eleições – ficou proibido fazer ou difundir pesquisas eleitorais. São as novas regras.

Todos os institutos dão mais quatro anos a Correa como chefe de estado equatoriano – e sem necessidade de segundo turno. Isso porque, para ser eleito de uma só vez, o primeiro colocado deve ter mais que 40 por cento dos votos e 10 pontos de vantagem sobre o concorrente que aparece em segundo lugar.

Na pior das hipóteses, Correa ostenta 45,3 por cento de preferência. Na melhor, está com 56,9. Detrás dele, em alguns levantamentos surge Lucio Gutiérrez – com um máximo de 17,7 por cento – e, em outros, Álvaro Noboa – na melhor das hipóteses, com 13,5.

Portanto, se existir alguma surpresa eleitoral no dia 26 de abril, esta estará na escolha dos futuros membros da Assembleia Nacional. O Movimiento País – partido do presidente – aposta em conseguir uma maioria esmagadora para poder levar adiante seu projeto para o Equador.

A seu favor, conta com a boa imagem de Correa. Não é à toa que a publicidade eleitoral de praticamente todos os candidatos do Movimiento País traz um abraço com o líder máximo da revolução cidadã sorrindo e fazendo um jóia. Todos querem aparecer a seu lado e surfar no fenômeno de popularidade.

Mesmo assim, pouca gente desconfia de um domínio do partido oficialista. Há 118 vagas legislativas, no total. O Movimiento País aparece politicamente isolado e sem aliados naturais. Porém, as previsões dão conta de que terá garantidas 58 cadeiras na Assembleia, praticamente a metade.

Contudo, os parlamentares dos partidos de Noboa (Prian) e Lucio (PSP) seguramente irão pactuar. Tem interesses parecidos e convergem em seu anticorreístas. Juntos, estima-se que consigam 22 cadeiras. A elas podemos somar outras possíveis quatro dos socialcristianos. E, claro, o que possam conseguir pequenas siglas, sempre dispostas a negociar.

Rafael Correa, no entanto, disse que não terá problemas em colocar seu cargo à disposição ou dissolver o parlamento e convocar novas eleições caso não consiga maioria na Assembleia. A medida está prevista na constituição. Mas, se não estivesse, talvez ele fizesse do mesmo jeito. Há quem diga que pelo bem do país, outros que pelo bem do (Movimiento) País.

A verdade é que o correísmo fica cada dia mais complexo a meus olhos. E mais interessante. (cc)

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