“mente bolivariana”

01/05/2009 § Deixe um comentário

No domingo, 26 de abril, Rafael Correa conseguiu sua sexta vitória eleitoral em apenas três anos. A última tem, porém, gosto especial. Reeleito presidente do Equador, Correa ganha mais quatro anos para tentar aplicar seu projeto político, agora sustentado por maioria na Assembleia Nacional e por uma nova Constituição, que dá base institucional às mudanças propostas por ele. 

Correa foi o primeiro presidente equatoriano a disputar uma reeleição. Também foi o primeiro, nos últimos 30 anos, a se garantir no cargo sem a necessidade de segundo turno. Teve mais de 50% e venceu em 17 das 24 províncias equatorianas. Lucio Gutiérrez, ex-presidente derrubado em 2005, conseguiu cerca de 30% dos votos, enquanto o multimilionário Álvaro Noboa, que nas quatro tentativas anteriores de chegar à Presidência sempre havia passado do primeiro turno, obteve pouco mais de 10%. 

No dia da votação, Correa afirmou a CartaCapital que os equatorianos teriam de escolher entre “voltar ao passado ou continuar com a mudança, com o futuro e com a busca pela Justiça”. Um dia depois do pleito, numa segunda-feira de festa no Palácio de Carondelet, o presidente declarou-se seguro de que o povo claramente fez sua opção. 

Ante a inquestionável vitória nas urnas, o presidente reeleito prometeu aprofundar a “revolução cidadã”. Voltou a se definir como um socialista do século XXI e a atacar o sistema capitalista. Para ele, o capitalismo impede a possibilidade de mudanças reais. Na entrevista, concedida aos correspondentes da imprensa estrangeira em Quito, Correa falou ainda do grande objetivo de seu mandato: ajudar a construir uma integração efetiva que reduza a dependência financeira e energética dos países latino-americanos.

O senhor está na situação com que sonhou há dois anos. Tem a Constituição que deseja e a maioria na Assembleia Nacional. Quais serão as prioridades para o próximo governo?

Não estou na situação com que sonhei. Sonho com o fim da miséria, da desigualdade e da injustiça, e ainda não alcançamos esta realidade. Tive um grande triunfo democrático no último domingo, é verdade, mas isso dentro da democracia formal. Sustento que o Equador e a América Latina podem ter eleições, mas não têm democracia. Não acredito que possa existir democracia onde existe tanta desigualdade. Isso tem de mudar. Os resultados eleitorais nos dão o respaldo político necessário para aprofundar as transformações que iniciamos com a nova Constituição. Precisamos ainda de uma série de leis para aperfeiçoar a nova ordem institucional.

Por exemplo?

Precisamos de uma lei de empresas públicas, outra de seguridade social, de ensino superior, de instituições financeiras e uma legislação antimonopólios. No plano econômico, vamos dar atenção especial à economia popular e solidária. Enquanto no setor capitalista convencional o governo gasta 10 mil dólares para criar um posto de trabalho, no setor popular e solidário – comércio informal, microempresa, artesanato, cooperativismo – há um novo emprego a cada 800 dólares investidos. Vamos também continuar com a revolução social que começamos há dois anos e três meses, melhorando a qualidade e quantidade da educação pública, para dentro de oito ou dez anos ninguém necessitar de escolas privadas. O mesmo com hospitais e moradia.

O senhor acredita ser possível democratizar o capitalismo? Acredita ser possível realizar essas mudanças?

Dentro do sistema, não. Mudando o sistema, sim, e é isso que estamos fazendo. Mas não podemos ser ingênuos. As mudanças e as revoluções dentro de uma sociedade dependem da correlação de forças. Lembre-se de todo o trauma psicológico que as elites provocaram no país. Se alguém que não conhece o Equador lê os jornais daqui, somos o governo mais impopular, corrupto e incapaz da história, ainda que tenhamos 70% de apoio popular e cerca de 50% das intenções de voto. No domingo, o povo equatoriano claramente nos deu mais legitimidade democrática para avançar com as mudanças que pouco a pouco vão reverter o quadro a favor do poder popular. –Tadeu Breda

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