esquerda e direita é coisa do passado

31/08/2009 § Deixe um comentário

Jimena Costa mora em uma muito elegante casa de um dos (pouquíssimos) bairros de classe alta de La Paz. São ruas infinitamente mais organizadas que as de outras regiões da cidade, com sensação de segurança, belas vistas, boa gastronomia. Naquele local ela se desenvolveu como analista política — recentemente, Jimena Costa e outros, incomodados que estavam com a proliferação dessa classe, decidiram mudar de cargo para politólogos.

Durante anos, recebeu jornalistas — inclusive este que assina estas linhas — para falar bem ou mal sobre o presidente de turno. Agora, decidiu mudar de rumos e lançou-se candidata à presidência. Ainda que não leve o projeto a cabo, como já ameaça abortar a operação, Jimena Costa coloca-se como nome possível na política boliviana.

Sergio Fajardo Walderrama morou durante muitos anos em alguma casa de Bogotá a qual eu não conheci, por isso não se sabe se era confortável, elegante ou o quê. Convidado a opinar em diversos veículos de comunicação, criou um nome forte que teve condições de comandar um bloco político independente que o conduziu à prefeitura de Medellín. Lá comandou um trabalho que, embora inconcluso por falta de tempo, levou a cidade outrora mais violenta do mundo a uma condição muito melhor. Medellín é lugar que sem dúvida não “inspira” a insegurança que se pode imaginar quando se olha apenas o passado e que de fato tem os projetos enumerados por Fajardo na entrevista abaixo.

O que os dois têm em comum? Além de serem candidatos à presidência, tentam manter o rótulo de independentes, comandantes de vontades da sociedade, e evitam definições sobre espectro político. Jimena Costa fala que vai trabalhar com os dois setores, sem importar se são de esquerda ou de direita. Fajardo, em Medellín, trabalhou com os dois setores, claramente sem buscar os extremos. E os dois entenderam muito bem a repulsa que as populações latino-americanas têm aos líderes políticos tradicionais, escorando-se nisso para ganhar o eleitorado.

Quanto às diferenças, Fajardo é um nome consolidado e, hoje, o único que vislumbra a possibilidade de bater Álvaro Uribe ou qualquer uribista no próximo ano. Jimena Costa tem pouco mais de três meses para consolidar seu nome, convencer os colegas de que é a melhor opção para o tal “bloco cidadão” e ganhar votos de Evo Morales. A seguir, as duas entrevistas concedidas por telefone na última semana. –joão peres(cc)

A Bolívia precisa de uma mãe

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