uma morte

01/10/2009 § Deixe um comentário

Bosco Bisuma, um professor bilíngue da etnia shuar, faleceu ontem na Amazônia equatoriana. O jovem indígena participava de um protesto que bloqueou a rodovia que liga as cidades de Puyo e Macas, na província de Morona-Santiago. Foi atingido por um disparo na cabeça e não resistiu.

Bisuma é a primera vítima resultante da repressão policial à jornada de lutas convocada pelas organizações indígenas do Equador no último domingo, 27 de setembro. A história é conhecida: as forças de ordem foram enviadas para dispersar a manifestação e liberar a via. Os manifestantes resistiram, houve confronto e nesse confronto Bisuma acabou recebendo um tiro.

Ainda não se sabe de onde veio a bala. As autoridades — aí incluído o presidente da república– afirmam que os indígenas estavam armados e que a polícia tomou todas as precauções necessárias para evitar uma tragédia. Não foi suficiente para garantir a vida de todos — nem mesmo a integridade física, porque os jornais equatorianos informam que aproximadamente 40 pessoas ficaram feridas no confronto.

Em cadeia nacional de rádio, Rafael Correa lamentou a morte de Bosco Bisuma e disse que está esperando de “braços abertos” as lideranças indígenas para dialogar no Palácio de Carondelet. No entanto, não perdeu a oportunidade de condenar o levantamento e de lembrar aos manifestantes que promover o bloqueio de caminhos vai contra a constituição que eles mesmos ajudaram a aprovar em setembro do ano passado.

Ainda assim, a morte do shuar pareceu sensibilizar o presidente. Se até então Correa dava declarações atestando o fracasso das mobilizações indígenas, agora já mudou o tom. Sem embargo, CONAIE, ECUARUNARI e CONFENIAE, organizações que lideram o levantamento, prometem intensificar as ações. Não admitem a morte de um companheiro e tampouco podem confiar na palavra de um governante que chama ao diálogo em Quito enquanto manda a polícia reprimir com violência uma manifestação na Amazônia.

Os indígenas se opõem à lei de águas que está em discussão na Assembleia Nacional. Também são radicalmente contra a lei de mineração, que já foi aprovada pelo governo no começo do ano. Desde que assumiu a presidência, Rafael Correa tem um hostilizado os índios em todas as vezes que apresentaram demandam divergentes às medidas do governo.

Todos concordam, no entanto, que uma morte já é demais. –tadeu breda (cc)

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