esquerda extrativista

16/04/2010 § Deixe um comentário

Eleitos com a promessa de promover um novo capítulo na história da América Latina, os governos de esquerda não tocam no que, para muitos, é o ponto nevrálgico na construção de uma nova realidade: o modelo de desenvolvimento primário-exportador

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Copenhague, constatou que apenas 5% dos brasileiros veem o aquecimento global como o grande problema do mundo. Uma fatia ainda menor da população, em torno de 1%, acredita que a preservação da biodiversidade deve ser priorizada pelas políticas públicas. Urgente mesmo, diz o levantamento, é combater a pobreza, a violência e a fome.

Os resultados da pesquisa refletem o raciocínio que move os governos da chamada esquerda sul-americana na hora de pesar as necessidades aparentemente conflitantes de preservação ambiental e crescimento econômico.

Desde a vitória de Hugo Chávez, em 1998, à de Fernando Lugo, em 2008, a onda eleitoral que conduziu ao poder candidatos de origem popular e ideias socializantes tinha como objetivo colocar um freio às políticas neoliberais. O Estado almejou, assim, reduzir a dependência externa e retomar as rédeas da economia. “Havia esperanças de que a nova esquerda promovesse mudanças substanciais no modelo de desenvolvimento, até então baseado na exportação de produtos primários”, lembra Eduardo Gudynas, pesquisador do Centro Latino-Americano de Ecologia Social (CLAES), em Montevidéu.

Isso não aconteceu. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) aponta que os produtos primários ainda são responsáveis por mais da metade do volume das vendas externas das nações agora dirigidas por governos ditos progressistas. O destaque fica com os recursos minerais e grandes monocultivos. O país menos dependente das commodities é o Brasil, que, mesmo assim, apoia 51% de sua economia sobre o extrativismo. Já a Venezuela sustenta 89% de sua balança comercial com as rendas do petróleo.

Gudynas acrescenta que os novos governos sul-americanos não apenas reforçaram as atividades primárias como também abriram novos campos de operação extrativista e agroindustrial. “É o caso da mineração no Equador, o apoio a um novo ciclo de exploração do ferro na Bolívia e o forte protagonismo estatal em promover o crescimento mineiro no Brasil e Argentina, enquanto a esquerda uruguaia se aventura na prospecção petroleira”, explica.

O xis da questão

À primeira vista pode ser difícil perceber os efeitos colaterais do negócio primário-exportador. Afinal, se as vendas externas crescem ano a ano, isso se traduz em cada vez mais dólares para a economia. E os países latino-americanos estão sempre necessitando de dinheiro: ninguém duvida que ainda há muito a ser feito em termos de educação, saúde, moradia, geração de empregos etc.

No entanto, de acordo com o economista equatoriano Alberto Acosta, desde a época da colonização as finanças regionais estiveram apoiadas sobre a exploração de produtos primários. E, ao longo dos séculos, esse tipo de atividade não foi capaz de trazer desenvolvimento humano à maioria dos latino-americanos, embora tenha produzido crescimento econômico. O último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) coloca os países do continente em posições bastante intermediárias no ranking mundial do bem-estar. O Brasil, por exemplo, apesar de estar entre as dez maiores economias do mundo, só aparece na 75a posição.

“Seguimos acreditando, equivocadamente, que desenvolvimento é sinônimo de crescimento, e que a maneira mais fácil de alcançá-lo é através da exportação de recursos naturais”, lamenta Acosta. “Os governantes não devem apenas conseguir equidade social, aprofundar a democracia e superar o Consenso de Washington. Tudo isso é indispensável e fundamental, mas a verdadeira mudança radica em transformar a maneira como olhamos para os recursos naturais.”

O Equador deu passos importantes nesse sentido ao aprovar em 2008 uma Constituição que reconhece direitos à natureza e condiciona o progresso econômico e social a uma relação não-destrutiva com os ecossistemas. A regra é utilizar os recursos provenientes do meio ambiente numa intensidade tal que lhe permita recuperar-se dos danos ocasionados e seguir seus próprios ciclos vitais. O pequeno país andino é o primeiro a enxergar a natureza como um sujeito de direitos e não apenas um objeto de propriedade.

Imbuídos da nobre motivação de combater a pobreza, os governos da nova esquerda latino-americana se encontram às voltas com um dilema. Em tempos de crise ambiental e mudança climática, são moralmente forçados a adotar políticas de preservação da natureza, redução do efeito estufa, contenção do desmatamento e adoção de tecnologias limpas. Ao mesmo tempo, o compromisso histórico assumido durante as campanhas eleitorais obriga a mitigar a pobreza e reduzir o abismo social que separa ricos e pobres no continente mais desigual do planeta.

Antes, a pobreza

A primeira opção parece ter sido o combate à miséria. E, para levá-lo a cabo, o poder público necessita de recursos financeiros, já que o modelo escolhido para aliviar a fome, aplacar o trabalho infantil e reanimar as economias locais descansa sobre programas de transferência de renda. Lula criou o Bolsa Família. Na Bolívia se instaurou o Bônus Juancito Pinto. Os uruguaios contam com o Plano de Assistência Nacional à Emergência Social. No Equador apareceu o Bônus de Desenvolvimento Humano, e a Argentina deu início ao Programa de Famílias. Há também o Chile Solidário.

Como o Estado voltou a assumir um papel mais protagônico na economia, há mais dinheiro em caixa. A Bolívia é um caso exemplar. Quando nacionalizou o gás e o petróleo, em 2006, Evo Morales subiu para 50% a tributação sobre os hidrocarbonetos. A renegociação dos contratos e a reativação da estatal YPFB ajudaram a mudar o quadro econômico. O PIB boliviano foi duplicado e atinge os US$ 19 bilhões, as reservas internacionais se incrementaram, a inflação está controlada e o câmbio, estabilizado. “Deixamos de ser o país mais pobre da América do Sul”, comemora o ministro da Economia, Luis Arce.

Os novos recursos permitem aos governos repassar à parcela mais pobre da população uma parte dos excedentes obtidos com o extrativismo e, assim, remediar os efeitos da pobreza. “O estado busca captar excedentes provenientes do extrativismo e, ao utilizá-los em programas sociais, consegue legitimidade para defender as atividades extrativistas”, analisa Eduardo Gudynas. “As ações sociais necessitam um crescente financiamento e, portanto, os governos se tornam dependentes da exportação primária para captar recursos financeiros.”

O mesmo diferente

As empresas estatais, porém, não agem de maneira muito distinta das companhias estrangeiras quando o assunto é compromisso ambiental. Se as grandes transnacionais da mineração, do petróleo e do agronegócio justificam seus empreendimentos com a promessa de progresso, emprego e bem-estar, os governos latino-americanos seguem o mesmo caminho. A grande diferença é o destino dos lucros, que, agora mais que antes, permanecem no próprio país. Contudo, apesar de ser justificada por novas realidades e argumentos, a devastação continua.

O debate nascido dentro do governo brasileiro entre Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, e Marina Silva, ex-titular do Meio Ambiente, é prova desse embate. Enquanto a coordenadora do PAC advogava pela celeridade das obras de infra-estrutura, a herdeira política de Chico Mendes insistia na importância dos estudos de impacto ambiental. Apoiada por Lula, Dilma venceu a batalha, enquanto Marina preferiu deixar o governo após ficar conhecida como “ministra dos bagres” e ser considerada por muitos uma “trava” ao desenvolvimento.

O resultado dessa batalha viabilizou, entre outros projetos, a construção das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu, que seguem a todo vapor. Juntas, as represas terão capacidade para gerar 18,4 mil megawatts, que irão alimentar a expansão industrial no sudeste e a da mineração na Amazônia.

Atualmente, segundo o geógrafo Arnaldo Carneiro, do Instituto Sócio Ambiental, “metade da capacidade energética instalada na região norte é consumida pela mineração e metalurgia, e 20% de toda eletricidade produzida no país é agregada a produtos destinados ao mercado externo”.

O PAC promete repassar R$ 35 bilhões para investimentos em geração e transmissão de energia na região amazônica. Outros R$ 10,6 bilhões devem permitir a construção e pavimentação de rodovias na floresta. Entre os projetos na área dos transportes, chama a atenção o asfaltamento da BR-163 (Cuiabá-Santarém) e da BR-319 (Manaus-Porto Velho), esta ainda em fase de avaliação ambiental, mas que pode acarretar o desmatamento de 39 milhões de hectares e afetar a mais de 50 povos indígenas, alguns em isolamento voluntário.

Contradições amazônicas

“Como outros projetos de infra-estrutura, as estradas são importantes para estimular a economia, integrar locais distantes e prover acessos a serviços públicos, como escolas e hospitais”, reconhece Arnaldo Carneiro. O geógrafo lembra, entretanto, que as estradas também vêm possibilitando o roubo de madeira, o surgimento de garimpos e a apropriação ilegal de terras indígenas. Basta dizer que, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), cerca de 75% do desmatamento ocorre numa faixa de até 100 quilômetros ao redor das rodovias.

“O Estado brasileiro está presente na Amazônia, mas de forma esquizofrênica”, avalia Carneiro, assinalando que, enquanto o governo se desdobra para reduzir o desmatamento, financia projetos que ajudam a derrubar a floresta. “Precisamos mesmo expandir sobre a Amazônia? Ou, nesse jogo global de economias ambientais, a Amazônia tem uma outra virtude, uma outra utilidade que não seja servir à pecuária e à agricultura?”

Os questionamentos do geógrafo não fazem eco aos projetos da Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que, com forte apoio do BNDES, também está presente na Amazônia. Pelo menos dois corredores interoceânicos estão em planejamento para ligar a porção brasileira da floresta à cordilheira dos Andes e ao Pacífico, incrementando, assim, o escoamento dos grãos produzidos pelo avanço da fronteira agrícola ao norte do Mato Grosso.

“Devemos procurar um modelo de desenvolvimento que gere emprego e fortalecer um tipo de produção que não destrua a floresta. A Zona Franca de Manaus é um exemplo de indústria que não desmata. Podemos criticá-la de várias maneiras, mas o estado do Amazonas é o que menos desmata e ainda por cima tem um pólo industrial”, opina o físico Luiz Pinguelli Rosa, da UFRJ. “Devemos buscar um tipo de desenvolvimento que não produza tantas emissões e, ao mesmo tempo, dê uma vida digna à população. Não tem cabimento os europeus viverem numa situação confortável e aqui existir gente que sequer tem energia elétrica em casa.” –tadeu breda (cc)

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izquierda extractivista

13/02/2010 § Deixe um comentário

Elegidos con la promesa de escribir un nuevo capítulo en la historia de América Latina, los gobiernos de izquierda no tocan en el que, para muchos, es el punto neurálgico de la construcción de una nueva realidad política y económica: el modelo de desarrollo primario-exportador

Una encuesta realizada en Brasil a las vísperas de la Cumbre de las Naciones Unidas sobre Cambio Climático, que se dio el último deciembre en Copenhague, concluyó que solamente 5% de los brasileños ven el calentamiento global como el gran problema del mundo. Una parte aún más chica de la población, alrededor del 1%, cree que la preservación de la biodiversidad debe ser priorizada por las políticas públicas. Urgente de verdad, dice el sondeo, es combatir la pobreza, la violencia y el hambre.

Los resultados del levantamiento reflejan el raciocinio que anima a los gobiernos de la llamada izquierda suramericana a la hora de sopesar las necesidades aparentemente contradictorias de preservación ambiental y crecimiento económico.

Desde la victoria de Hugo Chávez en Venezuela, el 1998, hasta la de Fernando Lugo en Paraguay, el 2008, la ola electoral que condujo al poder candidatos de origen popular e ideales socialistas tenía como objetivo poner un freno a las reformas neoliberales. El Estado anhelaba, así, reducir la dependencia externa y retomar el control de la economía.

“Había esperanzas de que la nueva izquierda promocionara cambios sustanciales en el modelo de desarollo, hasta entonces basado en la exportación de productos primarios”, recuerda Eduardo Gudynas, experto del Centro Latino Americano de Ecología Social (CLAES), en Montevideo.

Ello no ocurrió. Al revés, la Comisión Económica para la América Latina y el Caribe (CEPAL) señala que los productos primarios todavía corresponden a más de la mitad de las ventas externas de las naciones ahora dirigidas por gobiernos dichos progresistas. Encabezan las listas de exportaciones recursos minerales, como el cobre y el petróleo, y grandes monocultivos, con relieve para la soja.

Brasil es el país menos dependiente de los productos primarios, pero aún así sostiene el 51% de su economía con las distintas formas del extractivismo. Ya Venezuela, por ejemplo, apoya el 80% de su balanza de pagos sobre las rentas petroleras.

Eduardo Gudynas subraya que los nuevos gobiernos suramericanos no apenas han hecho hincapié sobre las actividades primarias como también abrieron nuevos campos de operación extractivista y agroindustrial. “Es el caso de la minería en Ecuador, el apoyo a un nuevo ciclo en la explotación del hierro en Bolivia y el fuerte protagonismo estatal en promocionar el crecimiento minero en Brasil y Argentina, mientras la izquierda uruguaya se lanza a la prospección de petróleo”, explica.

El punto neurálgico

En un primero vistazo puede ser difícil notar los efectos colaterales del negocio primario-exportador. A la final, el crecimiento año a año de las ventas externas se traduce en cada vez más dólares para la economía. Y los países latinoamericanos están siempre necesitando dinero: nadie duda que todavía hay mucho qué hacer en términos de educación, salud, vivienda, empleo etc.

Sin embargo, el economista ecuatoriano Alberto Acosta recuerda que desde la época de la colonización las finanzas regionales estuvieron sometidas a la explotación y exportación de productos primarios. Y, a lo largo de los siglos, este tipo de actividad no fue capaz de brindar desarrollo humano a la mayoría de los latinoamericanos, aunque sí haya producido crecimiento económico.

A propósito, el último relatorio del Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo (PNUD) pone el grueso de los países del continente en posiciones bastante intermedias en el ranking mundial del bienestar. Brasil, por ejemplo, a pesar de estar entre las principales economías del mundo, sólo aparece en la 75a posición en lo que refiere al IDH.

“Seguimos creyendo equivocadamente que desarrollo es sinónimo de crecimiento, y que la manera más fácil de lograrlo es por medio de la exportación de recursos naturales”, lamenta Acosta. “Los actuales gubernantes tienen un reto muy grande entre las manos: no deben solamente conseguir equidad social, profundizar la democracia y superar el Consenso de Washington. Todo eso es indispensable, pero el verdadero cambio radica en transformar la manera como lidiamos con los recursos naturales.”

Ecuador ha dado pasos importantes en ese sentido al aprobar el 2008 una Constitución que reconoce derechos a la naturaleza y somete el progreso económico y social a una relación no-destructiva con los ecosistemas. La regla es utilizar los recursos del medio ambiente en una intesidad tal que le permita recobrarse de los daños ocasionados y seguir sus propios ciclos vitales. Pero en la práctica todavía no funciona.

Con el noble objetivo de reducir los niveles de pobreza, los gobiernos de la nueva izquierda latinoamericana se encuentran a las vueltas con un dilema. En tiempos de crisis ambiental y cambio climático, son moralmente estimulados a adoptar políticas de preservación ecológica, reducción del efecto invernadero, contención de la deforestación y adopción de tecnologías limpias. Al mismo tiempo, el compromiso histórico asumido durante las campañas electorales les obliga a mitigar la pobreza y estrechar el abismo social que aparta ricos y pobres en el continente más desigual del planeta.

La pobreza primero

La prioridad parece haber sido el combate a la miseria. Mas, para llevarlo a su término, el poder público necesita de recursos financieros, una vez que el modelo elegido para aliviar el hambre, sanear el trabajo infantil y reanimar las economías locales ha sido la transferencia de renta –o sea, una especie de sueldo mensual que el gobierno reparte entre las familias en situación de penuria–.

En Brasil, Lula creó en Bolsa Familia. En Bolivia, se instauró el Bono Juancito Pinto. Los uruguayos cuentan con el Plan de Asistencia Nacional a la Emergencia Social. En Ecuador surgió el Bono de Desarrollo Humano, y Argentina dio inicio al Programa de Familias. Hay también el Chile Solidario.

Como el Estado ha vuelto a asumir un rol más protagónico en la economía, hay más dinero en la caja. Bolivia es un buen ejemplo. Cuando nacionalizó el petróleo y el gas, el 2006, Evo Morales subió para 50% los aranceles sobre la venta de los hidrocarburos al exterior. La renegociación de los contratos y la reactivación de la estatal YPFB ayudaron a cambiar el cuadro económico del país. El PIB boliviano se duplicó a los US$ 19.000 millones, las reservas internacionales se incrementaron, la inflación está bajo control y el cambio sigue estable. “Hemos dejado de ser el país más pobre de América del Sur”, conmemora Luis Arce, ministro de Economía.

Los nuevos recursos permiten a los gobiernos repasar a la parcela más pobre de la población una parte de los excedentes obtenidos con el extractivismo y, así, remediar los efectos de la pobreza. “El Estado busca captar los excedentes del extractivismo y, al utilizarlos en programas sociales, consigue legitimidad para defender las actividades extractivistas”, analiza Eduardo Gudynas. “Las acciones sociales necesitan de financiación creciente y, por lo tanto, los gobiernos se vuelven dependientes de la exportación primaria para captar recursos financieros.”

Lo mismo diferente

Las empresas estatales, empero, no actúan de manera muy distinta a la de las compañías extranjeras cuando el asunto es compromiso ambiental. Si las grandes transnacionales de la minería, del petróleo y del agronegocio justifican sus empreendimientos con promesas de progreso, empleo y bienestar, los gobiernos latinoamericanos siguen por la misma senda. La gran diferencia es el destino de las ganancias, que, ahora más que antes, se quedan en el propio país. Aún así, y a pesar de estar justificada por nuevas realidades y argumentos, la devastación continúa.

El debate nacido dentro del gobierno brasileño entre Dilma Rousseff, ministra de gobernación, y Marina Silva, ex titular de Medio Ambiente, ilustra bastante bien lo que está en juego. Mientras Rousseff, coordinadora del Programa de Aceleración del Crecimiento (PAC), peleaba por más celeridad en la conclusión de las obras de infraestructura, la heredera política del ecologismo popular amazónico, Marina, insistía en la importancia de los estudios ambientales para sanear los impactos de estas mismas obras sobre la naturaleza. Con el respaldo de Lula, Dilma venció la batalla, mientras Marina prefirió dejar el gobierno tras ganar fama como “traba” al desarrollo del país.

El resultado de la pelea dentro del gobierno brasileño dio mayor visibilidad, entre otros proyectos, a la construcción de las usinas hidreléctricas de Santo Antonio y Jirau, en el río Madera, y Belo Monte, en el río Xingú, que siguen con toda fuerza en la cuenca amazónica. Juntas, estas represas tendrán capacidad para generar 18.400 megawatios, que irán alimentar la expansión industrial en el sureste del país –en donde están São Paulo y Río de Janeiro– y la de la minería en la Amazonía.

Actualmente, según el geógrafo Arnaldo Carneiro, del Instituto Socio Ambiental, “mitad de la capacidad energética instalada en la región amazónica es consumida por la minería y la metalurgía, y el 20% de toda electricidad producida en el país es destinada a productos de exportación.”

El PAC brasileño promete repasar alrededor de US$ 20.000 millones para inversiones en generación y transmisión de energía en la Amazonía. Otros US$ 6.000 millones deben permitir la construcción y pavimentación de carreteras en la selva. Dentre los proyectos en el area de los transportes, apenas la pavimentación de dos caminos deben provocar el desmate de 39 millones de hectáreas de floresta y afectar más de 50 pueblos indígenas, algunos en aislamiento voluntario.

Contradicciones amazónicas

“Como otros proyectos de infraestructura, las carreteras son importantes para estimular la economía, interligar localidades lejanas y proveer el acceso a servicios públicos, como escuelas y hospitales”, reconoce Arnaldo Carneiro. Sin embargo, el geógrafo recuerda que las carreteras también vienen posibilitando el robo de madera, el surgimiento de la minería informal y la apropiación ilegal de tierras indígenas. Bástese con decir que, según el Instituto Nacional de Pesquisas Espaciales (INPE), cerca del 75% del desmate ocurre en una franja de hasta 100 kilómetros alrededor de los caminos abiertos en la selva.

“El Estado brasileño está presente en la Amazonía, pero de manera esquizofrénica”, evalúa Carneiro, subrayando que, mientras el gobierno se esfuerza para reducir la deforestación, financia proyectos que ayudan a destruir la jungla.

Los cuestionamientos del geógrafo no hacen eco a los proyectos de la Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Suramericana (IIRSA), que, con fuerte apoyo del banco brasileño de desarrollo, también está presente en la Amazonía. Por lo menos dos corredores interoceánicos están siendo planeados para ligar la porción brasileña de la selva a la cordillera de los Andes y al Pacífico, incrementando así la salida de los granos producidos por el avance de la agricultura de exportación sobre la Amazonía.

“Debemos buscar un modelo de desarrollo que genere empleo y fortalecer un tipo de produción que no destruya la floresta, que no produzca tantas emisiones y a la vez dé una vida digna a la población”, opina el físico Luiz Pinguelli Rosa, de la Universidad Federal de Río de Janeiro. “Lo que no se puede es que se viva en una situación confortable en EEUU y Europa y aquí haya gente que ni siquiera tiene electricidad en casa.” –tadeu breda (cc)

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integração, pero no mucho

10/02/2010 § 1 comentário

Dizem que os países não tem amigos, mas interesses. Apesar de terem acelerado os processos de integração, as afinidades ideológicas entre os governos sul-americanos não foram capazes de acabar com os conflitos diplomáticos bilaterais. Questões militares e econômicas ainda dão a tônica da relação entre vizinhos

A Venezuela tem problemas com a Colômbia, que também não agrada muito o Equador. O Equador e a Venezuela, porém, são bons amigos. O Uruguai está de mal com a Argentina, mas só com a Argentina. O Peru não vê o Chile com bons olhos, mas compartilha opiniões políticas com a Colômbia. A Bolívia mantém uma grande afinidade com Venezuela e Equador, e pouco a pouco vai resolvendo suas diferenças com o Chile. O Brasil não possui nenhum inimigo declarado na vizinhança, porém negocia em silêncio algumas reclamações de Bolívia, Equador e Paraguai.

Eis o panorama geral das relações bilaterais na América do Sul, que mais parecem fofoca de condomínio, mas que são fruto do fenômeno político iniciado com a vitória eleitoral de Hugo Chávez, em 1998. A opção por candidatos de origem popular ou inspiração socialista em quase todo o continente tem agilizado os processos de integração. Recentemente saíram do papel projetos como o Banco do Sul e o Conselho de Defesa do Sul, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se fortaleceu e estão em gestação mecanismos financeiros para reduzir a dependência regional de dólares.

Entretanto, as afinidades ideológicas parecem não ser suficientes para concretizar o sonho de Simón Bolívar, e a consolidação da “pátria grande” tem esbarrado em divergências estratégicas que frequentemente colocam países vizinhos em lados opostos da arena diplomática.

O entrevero mais antigo é o que contrapõe interesses argentinos e uruguaios devido à instalação de uma usina de celulose às margens do rio Uruguai. Em 2007, a companhia finlandesa Botnia começou a operar no município de Fray Bentos, ligado por uma ponte à localidade de Gualeguaychú, na Argentina. Os gualeguaychulenhos acreditam que o processamento da celulose vai poluir as águas do rio que abastece a ambos os países. Por isso, são contrários ao funcionamento do complexo industrial. Entretanto, de olho nos empregos trazidos pela transnacional, os uruguaios negam qualquer risco de contaminação.

As chancelarias de Montevidéu e Buenos Aires entraram na briga quando alguns movimentos socioambientais e sindicatos argentinos resolveram bloquear a ponte que conecta os dois países. O caminho já leva três anos fechado e a disputa foi parar na Tribunal Internacional de Haia, na Holanda. O governo argentino diz que os uruguaios violaram um acordo sobre a utilização das margens do rio e pede que a fábrica da Botnia seja removida para algum outro lugar onde não ofereça riscos às águas binacionais. A corte dará seu veredicto final sobre a contenda em março.

Feridas abertas

Outro desacordo diplomático que foi parar na arbitragem internacional diz respeito aos limites marítimos do Chile, que em tese estariam violando as milhas oceânicas pertencentes ao Peru. O presidente Alan García quer modificar os termos de um acordo assinado entre Lima e Santiago na esteira da Guerra do Pacífico (1879-1883). O tratado define a extensão territorial soberana de cada um sobre o mar. O governo peruano acredita que saiu prejudicado na assinatura do documento e pretende revertê-lo em Haia.

“O Peru quer aumentar em mais de um terço seu domínio marítimo-econômico, passando a ter mais acesso a recursos pesqueiros”, explica Guillermo Holzmann, analista político da Universidade do Chile. “Ao conduzir a questão a Haia, o Peru tem um objetivo estratégico, do qual se deriva outro, de cunho histórico, que tem mais impacto na opinião pública.”

A presidenta Michelle Bachelet levou a mal o recurso movido por Alan García e decidiu congelar as relações políticas com o vizinho. Contudo, conservou o diálogo diplomático e, para não prejudicar os investimentos chilenos no Peru, manteve intactos os laços financeiros.

Mas a complicada relação entre os dois países se agravou ainda mais quando foi descoberto um caso de espionagem chilena na força aérea peruana. O pivô da crise é o suboficial Víctor Ariza, que teria sido recrutado há sete anos pelo serviço secreto de Santiago para repassar informações confidenciais sobre os planos militares do vizinho.

Michelle Bachelet negou qualquer relação com o episódio e garantiu que iria apurar a acusação junto às forças armadas, prometendo aplicar sanções caso a espionagem tenha realmente existido. “A resposta chilena é positiva e alivia a tensão”, disse o chanceler peruano José Antonio Balaunde. “Para superar a crise, no entanto, falta que nos informem sobre o resultado das investigações. Esperamos uma resposta antes de março, quando muda o governo no Chile”, completa o ministro.

O peso das armas

Outra coisa que incomoda o Peru é o armamentismo chileno: “Não entendemos porquê o Chile gasta tanto em armas e porquê essas armas apontam para o Peru”, questiona Balaunde. A preocupação é tamanha que Alan García acaba de propor um acordo para reduzir a militarização dentro da Unasul. O plano também estabelece pactos de não-agressão e resolução pacífica de conflitos entre os países do bloco. É um recado para o Chile, mas não só.

Quem lidera o processo de modernização militar na América do Sul é o Brasil. O acordo assinado pelo presidente Lula com a França deve equipar o país com tanques, helicópteros, submarinos – um deles com propulsão nuclear – e talvez caças Rafale de última geração. Se as compras se concretizarem, o Brasil gastará R$ 30 bilhões para equipar suas forças armadas e defender os recursos naturais da Amazônia e do pré-sal.

A Venezuela também chama a atenção quando o assunto é rearmamento. Quando Hugo Chávez quis modernizar seus exércitos, recorreu primeiro ao varejão bélico dos Estados Unidos. A Casa Branca, ferrenha opositora de Caracas, proibiu a transação. Chávez, então, foi às compras na Rússia: já gastou US$ 4,4 bilhões com aviões, helicópteros, tanques e fuzis, e promete ainda adquirir submarinos do Kremlim.

Hugo Chávez argumenta que precisa se defender. Primeiro porque tem na bacia do rio Orinoco uma das maiores reservas petrolíferas do mundo. Depois, porque os Estados Unidos assinaram um acordo com a Colômbia que permite a instalação de soldados e armamentos ianques em sete bases espalhadas pelo país.

Álvaro Uribe, artífice e entusiasta da parceria, afirma que o Pentágono há muito tempo dá apoio material ao governo colombiano na luta contra o narcotráfico e a guerrilha, enquanto os vizinhos não fazem mais do que enviar manifestações de solidariedade. Ademais, garante o presidente, a força norte-americana será utilizada apenas em território colombiano.

Tão perto e tão longe

Hugo Chávez não está convencido. Por isso, cortou relações com a Colômbia, com reflexos importantes para o comércio binacional. As exportações colombianas para a Venezuela caíram mais de 70% entre outubro de 2008 e 2009. A estatal petrolífera PDVSA também parou de vender combustível subsidiado ao país vizinho. Os discursos esquentaram, tropas foram enviadas para monitorar as fronteiras e Hugo Chávez conclamou seus compatriotas a defenderem o país de uma agressão imperialista iminente.

Álvaro Uribe também tem problemas com o Equador desde que, em março de 2008, decidiu violar o território equatoriano para eliminar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) camuflado do lado de lá da fronteira. Na operação foram mortas 25 pessoas, entre elas Raúl Reyes, um dos cabeças da guerrilha. Ao tomar conhecimento do episódio, o presidente Rafael Correa cortou imediatamente as relações com Bogotá. Os laços apenas serão reatados caso o governo colombiano se retrate publicamente da invasão, entre outras exigências.

“Os conflitos diplomáticos criam uma cultura onde a opinião pública não encontra razões para se mobilizar a favor da integração”, observa Tullo Vigevani, pesquisador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI). “A maior dificuldade para a integração, porém, está nos sistemas econômicos e na estrutura social das nações sul-americanas. Por exemplo, todos os países são produtores de bens agrícolas. Portanto, não há complementariedade econômica.”

“Para que exista uma integração efetiva, os países vizinhos devem ser também os primeiros sócios comerciais uns dos outros”, comenta Guillaume Long, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), em Quito. “Mas na América Latina o principal parceiro comercial dos países são os Estados Unidos.” E agora também a China. –tadeu breda (cc)

>> publicado na revista do brasil

la ligne qui divise l’équateur

19/01/2010 § 1 comentário

écrit par tadeu breda
traduit par marion huteau tristão

Je ne su pas où mettre les yeux lorsque Melânia termina de répondre à ma dernière question. Et croyez bien qu´il n´y en eut pas tant que ça. Melânia n´a pas l´air de quelqu´un qui adore discuter avec les étrangers, mais elle n´eut pas l´air dérangée quand nous interrompîmes son travail en lui demandant quinze petites minutes de prose. La machette encore en main, un morceau de fer oxydé avec lequel elle élaguait les pieds de cacao qui poussaient à côté, nous nous assîmes à l´ombre en bas de la maison, entre les épis de maïs, les poussins chantonnants les tronçons de bois et les seaux d´eau.

Une odeur de terre dominait. Battue ou cultivée, tout ce qui nous entourait, était de terre. Les rares bourrasques de vent de ce samedi pourtant ensoleillé, étaient toujours accompagnées d´une fragrance chimique et écoeurante. C´était de ça dont je voulais parler.

La quarantaine, Melânia Chama est agricultrice. Ce n´est pas la seule personne que j´ai connue en Équateur qui n´ait su me donner son âge avec exactitude. Qui habite à la campagne et en tire son pain peut très bien vivre en fonction du jour et de la nuit, du soleil et de la pluie, de l´été et de l´hiver. Les horloges et les calendriers ne sont pas très utiles pour celui qui connait par cœur le cycle de la terre. C´est le cas de Melânia et probablement celui de ses trois filles, qui auraient pu être huit si la mère n´était pas passée par cinq avortements spontanés.

Personne ne sait expliquer pourquoi cette paysanne a perdu autant de bébés en si peu de temps. Un médecin lui avait bien dit que sa structure corporelle n´était pas idéale pour affronter une grossesse, mais la santé de ses trois filles, qui travaillent laborieusement avec elle dans les champs, prouve le contraire. Pour Melânia, il y a d´autres motifs à ses grossesses interrompues.

« Je vis ici depuis plus de 20 ans » raconte-t-elle. Ici, c´est Shushufindi, au nord de l´Équateur, une ville au coeur de la forêt amazonienne, à un peu plus d´une heure de la frontière avec la Colombie. Melânia habite une petite maison en bois surélevée par quatre poutres pour éviter que les animaux ne rentrent. Avec son mari et ses filles, Melânia gagne son pain grâce à ce qu´elle cultive sur sa propriété. En plus du cacao, il est aujourd´hui possible, à force de beaucoup de travail, de voir pousser des pieds de manioc, des bananiers, et du maïs. Avant l´arrivée de la famille Chama, tout n´était pourtant qu´une immense piscine de pétrole.Melânia partage son histoire avec 30.000 autres agriculteurs et Indiens qui, depuis plus de quatres décennies, souffrent de la contamination de l´air, de l´eau, de la terre et des nappes phréatiques dans le nord-ouest équatorien. Shushufindi a été tant dégradée par l´activité prolifère que les habitants les plus familiers au cosmopolitanisme utilisent le terme toxic tour pour désigner le trajet emprunté par les visiteurs qui désirent connaître les conséquences sociales et environnementales de cette tragédie.

En 1964, le gouvernement de l´Équateur décida que l´heure de revendiquer sa part dans la division internationale du pétrole était arrivée. Si Dieu avait offert à presque tous les pays voisins de généreuses réserves, pourquoi les Équatoriens, si fidèles aux offices religieux, étaient-ils restés en marge? Il fut cependant nécessaire de déléguer les tâches de recherche et d´exploitation à une entreprise de confiance. L´option la plus évidente qui s’offrait aux militaires au pouvoir s’appelait Texaco Inc., la plus importante compagnie pétrolière de l´époque. L’entreprise reçut des mains des nationalistes un domaine de 1,4 million d´hectare pour trouver l´objet de convoitise officielle. Ayant toujours le feu vert des autorités, l´entreprise commença à dérober la forêt, à construire des routes et à installer les premiers puits de perforation.

Tracteurs, hélicoptères, grues. Rien de semblable n´avait été vu auparavant dans ce coin de la jungle. La population indienne, qui habitait le lieu bien avant l’apparition de Texaco et même de l´Équateur, fut ignorée au nom du bien commun. L´argent du pétrole était nécessaire et les Indiens ne comprenaient tout simplement pas ce qui se passait. La légende dit que, quelques curumins1 demandèrent à leur grand-père pourquoi pêcher dans les ruisseaux où il y avait toujours eu beaucoup de poisson devenait chaque jour plus difficile. Le vieillard, regardant les tâches colorées que le pétrole laissait dans l´eau, ne dit rien. Il ne sut pas quoi dire. Aucun des mythes transmis de génération en génération par ses ancêtres n´expliquait cela. Les arcs-en-ciel, jusqu´alors, n´existaient que dans le ciel.

Dans les années 60, peu d´Indiens parlaient l´espagnol en Amazonie équatorienne et, dans quelques tribus, le contact avec l´homme blanc venait seulement d´être établi. On ne pourrait répondre aux questions que beaucoup plus tard. « À mesure que la compagnie avançait dans la forêt et répandait les résidus de la prospection prolifère dans l´environnement, les Indiens furent délogés. Ils durent abandonner leurs terres car, évidemment, ils ne pouvaient plus y vivre », explique l´avocat Pablo Fajardo, 37 ans, qui travaille pour la défense des populations affectées par l´activité de Texaco en Équateur.

Pablo est arrivé en vélo à la rencontre que nous avions fixée au siège du Commité des Droits de l´Homme de Shushufindi, un petit bureau cédé par l´église catholique où le militantisme, qui l´amènera à la faculté de Droit, commença. Il transporte son fils sur son porte-bagage, ainsi que son expérience d’homme entêté qui s’implique corps et âme dans l´une des plus grandes batailles judiciaires de l´histoire. La lutte contre les abus commis par Texaco est le premier cas de sa carrière. Il l’a pourtant commencé bien avant que les preuves arrivent aux tribunaux. Au début des années quatre-vingt-dix, quand le procès commença à la Cour de New-York, Pablo n´était pas encore avocat. Il apprit à faire face à la justice en se confrontant quotidiennement à son revers, l´injustice, qui sévit dans presque toute l´Amazonie. Et peu importe si elle est arrosée d´eau ou de pétrole : elle fleurit de la même façon et se dissémine en tout type d´infection, de cancer ou d´intoxication qui ne cessent d´être reportés à l´hôpital municipal.

C’est avec un nœud dans la gorge que l’on découvre les conditions de vie des shushufindenses2. La première chose que l´on remarque ce sont les oléoducs. On les retrouve partout, chauds, le long des routes, au dessus des rivières, au milieu des champs. Le pompage ininterrompu du pétrole se traduit à l´oreille humaine en une stridence métallique, comme si le combustible sortait de terre armé de marteaux et frappait les tuyaux, fer contre fer, en frappant sur le compas systématique de l´extraction. Quant aux puits de pétrole, il est très facile d´en apercevoir un, suçant le sang de la terre. Pas même besoin de sortir du périmètre urbain. Espaces de jeu pour les enfants, ils se répandent entre les maisons et font partie du paysage. Et en toute discrétion. La technologie a permis de réduire ces énormes structures oscillantes, intrigant mécanisme de balanciers et de leviers typiques des films texans, à de petits appareils ressemblant jusque dans la couleur à des bouches d´incendie. Chaque puits s’accompagne toujours d´une tour. À Shushufíndi, elles sont connues comme mecheros, mot venant de mecha, qui en espagnol signifie “flamme”. En regardant une de ces tours, on comprend facilement pourquoi. Le gaz qui sort de la terre avec le pétrole et que l´on n´exploite pas brule en permanence. C´est pour cela que les nuits de la ville mélangent l´obscurité mouchetée d´étoiles aux reflets orangés d´un incendie industriel perpétuel, et que l´horizon vert des jours ensoleillés est parsemé de petits foyers incandescents au milieu de ce qu´il reste de la forêt vierge.

Il a suffit que le pétrole jaillisse pour la première fois, en 1967, pour que l´État équatorien décide d´appuyer son économie sur l´extraction et la vente de combustible. C´est encore le cas aujourd´hui. Il y a deux ans, l´Équateur est devenu camarade du Venezuela, du Nigéria, de l´Angola, de l´Iran, de l´Arabie Saoudite, du Kuwait et d´autres paradis pétroliers en entrant de nouveau dans l´Organisation des Pays Exportateurs de Pétrole (OPEP). Approximativement 40% de la recette de la balance commerciale du pays dépend de l’or noir. Au moins en théorie. Le gouvernement a en effet besoin des bénéfices du pétrole pour investir dans des programmes sociaux qui tirent les Équatoriens de la pauvreté. Pour cela, l´affirmation de la viabilité des réserves hydrocarbonifères avait provoqué un jubilé national. Mais, en regardant Shushufíndi, la salle des machines de l´économie nationale, personne ne doute de la véritable origine du sous-développement.

Là est la grande contradiction de l´Équateur. Sa plus grande richesse financière, la ressource qui subvient aux besoins du pays, provient des entrailles de sa région la plus pauvre. Santiago Chiriap, promoteur de santé interculturelle sur le territoire indien de Yamanunka, n´a jamais compris ce mécanisme. « Il y a 28 puits pétrolifères en fonctionnement dans notre communauté. Nous devrions donc bénéficier de tout type de services, mais nous n´avons même pas d´eau potable et de système sanitaire de base », lamente-t-il.

Près de 1.400 Indiens de l´ethnie shuar vivent à Yamanunka. La croisade personnelle de Santiago contre les “morts soudaines” qui ont commencé à ravager ses voisins l´a amené à enquêter sur la qualité de l´eau que l´on boit dans les environs. Cela parce que les racines et plantes médicinales qui avaient toujours guéri avec facilité les maux de ventre de son peuple ne faisaient plus effet. Chiriap, avait donc demandé de l´aide à des uiversités et des ONG de Quito. Après trois ans d´analyses en laboratroire, il avait conclu que les Indiens ingéraient des quantités considérables de plomb, d´arsenic et d´hydrocarbonates contenus dans l´eau. Il garde avec lui un dossier contenant les résultats des tests, et les montre à qui souhaite les voir. Ceux qui doutent de la parole de Santiago, ou de son dossier de documents, peuvent facilement consulter le docteur Jorge Herrera à l´Hôpital Municipal de Shushufíndi. Plus facile de croire un homme dont le diplôme est accroché au mur et qui reçoit chaque jour des cas d´infections gastro-intestinales. « L´eau de nos rivières n´est pas propre à la consommation humaine pour cause de contamination par résidus originaires de l´activité pétrolière. »

En 28 ans d´opération en Équateur, entre 1964 et 1992, Texaco a retiré près de 1,7 milliard de barrils de pétrole du sol amazonien. En échange, l’entreprise aura eu un impact socio-environnemental “incalculable” dans ce coin perdu du pays, terme par lequel l´avocat Pablo Fajardo definit les effets colatéraux de l´extraction. Pour maximiser les profits, l´entreprise a préféré ne pas suivre les paramètres de protection environnementale en vigueur à l´époque. Par exemple, Texaco ne réinjectait pas dans le sol les liquides toxiques issus du processus de perforation, connus comme “eau de formation”, une substance blanchâtre qui sort des profondeurs de la terre en exhalant une forte odeur rappelant celle du dissolvant. « De plus, raconte Fajardo, pour chaque puits qu´elle creusait, la compagnie a construit deux, trois ou quatre piscines. Elle y jetait tout type de résidus. Texaco a creusé plus ou moins mille piscines et déversé 18 milliards de galons3 d´eau de formation directement dans les rivières. Des centaines d´écoulements n´ont jamais été bouchés. Elle arrosait aussi les routes avec du pétrole pour diminuer la poussière. Avec la pluie, le combustible terminait évidemment dans les cours d´eau. Je dis tout cela parce que je l´ai vu de mes propres yeux. »

La lutte bloquée en justice depuis 1993 a commencé aux États-Unis pour arriver dix ans plus tard en Équateur. Elle a déjà produit des centaines de kilos d´expertises, de rapports, d´études techniques, impliquant des milliers de personnes et 27 milliards de dollars d´indemnisations, et concerne exclusivement la réparation des dommages à l´environnement. Aucun particulier ne touchera un centime de la fortune que Texaco devra rembourser en cas de défaite en justice.

Cependant, l´avocat sait, et le sérieux de son regard parle de lui-même, que la majeure partie des préjudices est simplement irréparable. Pablo compte dans la catégorie “irrécupérable” les 2.000 cas de cancer au-dessus de la moyenne nationale qui ont été enregistrés ces 15 dernières années dans la zone, le plus haut taux de mortalité infantile du pays, les continuels avortements spontanés, la permanente contamination des sédiments des rivières par des métaux lourds et autres résidus toxiques, les piscines de pétrole qui gisent sous terre ou à ciel ouvert depuis 30 ans, l´extinction des espèces animales et végétales, et la disparition d´au moins deux groupes d´Indiens – tetetes et sansahuaris – qui habitaient originellement la zone.

« Comment peut-on calculer le prix d´une vie ? Comment peut-on exiger une indemnisation pour l´extinction de toute une population indienne ? On ne peut pas. Les dommages sont réellement irréparables. Malgré cela, voyons ce qui peut au moins être fait. Si nous nettoyons les résidus toxiques qui demeurent dans les piscines, dans les sédiments des rivières, des marais, si nous nettoyons la nature des éléments qui continuent de tuer les gens, c´est déjà beaucoup. Ainsi on pourra rendre un peu de la dignité qui a été volée à la population locale », explique l´avocat.

Pendant que la justice travaille, Manuel Salinas attend. Attendre, d´ailleurs, c´est ce qu´il a le mieux appris à faire pendant les 23 ans durant lesquels il a vécu au-dessus d´une piscine de pétrole. Quand il est arrivé à Shushufíndi, fuyant la sécheresse qui avait tari les plantations du sud du pays, Salinas s´étonna d´une affaire irrécusable pour tout paysan : une bonne ferme à un bon prix. C´était exactement ce qu´il cherchait. L´agriculteur, qui voulait et avait besoin de travailler, n´hésita pas une seconde. Il emprunta l´argent à son frère et remit le terrain en état. Immédiatement, il commença à construire une petite maison en bois. Il sema. Manioc, banane, maïs, café, tout poussait, avec difficulté, « la terre est faible », mais ça poussait.

Manuel a toujours su que son morceau de terre, avant d´avoir été recouvert de beaucoup de terre par Texaco, avait été une piscine de pétrole. Tout le monde le disait. Quand il était arrivé, cependant, il n´avait pas observé de vestiges du lagon noir. Ce que les yeux ne voient pas, le coeur ne le sent pas. Le corps, lui, souffrirait des effets colatéraux, mais plus tard. Sur le moment, le problème semblait résolu, et la vie continuait.

« Bien sûr que tout ce qui sort de cette terre est contaminé », dit-il, d´une douce voix, presque rauque, qui coule par-dessous ses moustaches grisonnantes septuagénaires.

Pourtant, l´agriculteur n´a jamais cessé de manger les produits qui poussaient dans sa ferme, même lorsque le pétrole commença à crever sa sépulture de terre et, comme par miracle, à rejaillir du sol. « C´est la pauvreté et la nécessité qui nous meut. On fait confiance à Dieu, pour qu´il nous aide et nous favorise. En fin de compte, je suis encore vivant. » C´est comme cela qu´il justifie, dans un mélange de soulagement et de plainte, la contamination que la faim a imposé à son organisme.

Don Salinas est presque mort de gastrite après la rupture de la tubulation souterraine du puits 38 (creusé par Texaco dans les années soixante, mais aujourd´hui opéré par l´entreprise publique Petroecuador) à quelques mètres de son terrain. À côté, l´agriculteur gardait un réservoir d´eau, qu´il utilisait pour boire, se laver et cuisiner, parce qu´il n´y a pas de système sanitaire de base dans la zone rurale de Shushufíndi. Après l´incident, Salinas n´avait plus d´eau. Les liquides toxiques du puits s´infiltrèrent dans la nappe phréatique qui fournissait son réservoir et sa famille. Sauf que Manuel ne fut informé de la fuite qu´après un certain temps. Quand les techniciens de l´entreprise vinrent informer que le conduit avait explosé juste à côté et qu´ils ne pouvaient plus rien faire, l´estomac du paysan criait déjà de douleur. Si ses amis ne l´avaient pas emmené suivre un traitement spécialisé à Quito, Salinas serait déjà mort.

Avant l’appareil digestif, c´est sa peau qui avait réagi au contact quotidien de la contamination. A mesure qu’il évoque ses maladies, Salinas remonte les manches de sa chemise et nous montre les petits grains roses qui se mélangent aux rides du soleil et de l´âge. Il ne tarde pas à défaire les boutons pour prouver qu´ils s´étendent sur la poitrine, le ventre et le dos. Après avoir visité la piscine de pétrole qui s´ouvrit dans le jardin de sa maison, une éruption cutanée surgit immédiatement sur ses mollets. La démengeaison en cadeau. Et il suffit d´une demie heure de marche, pas plus, en claquettes à travers la plantation toxique de Don Salinas, au milieu des vieux barils de Texaco et les pieds de café survivants. Le pied s´enfonce. La terre est molle, mais pas parce qu´elle est fertile. « Hé, venez ici », appelle Don Salinas. Nous nous approchons. Manuel est immobile. Il tient dans ses mains une branche d´arbre longue et fine. « Regardez », dit-il, alors qu´il enfonce, sans le moindre effrot, les deux mètres de bois directement dans le sol. Je comprends alors que Don Salinas et toute sa propriété naviguent, depuis plus de deux décennies, sur des milliers de litres d´un mélange de pétrole, de vase, d´eau de formation et autres rejets. Tous toxiques. C´est exactement ici qu´ont poussé les aliments qui remplirent son assiette pendant tant d´années.

Dans le contexte shushufindense, cependant, Manuel peut être considéré comme chanceux. Il y a un peu plus de deux ans, lorsqu´il venait d´être élu, Rafael Correa, le président de l´Équateur, rendit visite à la ferme de Salinas. Il vu de près la piscine qui était apparue dans le jardin – de si près que l´un de ses conseillers glissa presque à l´intérieur de la noirceur – et il vérifia aussi la qualité de l´eau utilisée par la famille de l´agriculteur. Avec l´aide d´un assistant, le président tira un seau du fond du réservoir, y mouilla ses mains et les approcha de son nez.

« Ça sent la gazoline », dit-il.

Ça ne mit pas très longtemps pour que le gouvernement donne à Don Salinas un nouvel endroit où habiter. Le pouvoir public cèda le terrain, mais le paysan dût réunir ses petites économies et financer la construction de sa maison. Aujourd´hui il vit loin de la piscine de pétrole et de l´intoxication quotidienne, reçoit de l´eau au robinet de la cuisine et se protège de la pluie par des murs en briques. Mais il n´est pas satisfait, principalement parce que dans son nouveau jardin, il ne peut cultiver ni maïs ni manioc, ce qui allégeait la facture en fin de mois. « La contamination s´est étendue à la ville entière, à toute la région. Nous n´avons pas vraiment d’endroit où nous échapper. S´ils me donnent une indemnisation, j´achèterai un morceau de terre ailleurs, où je pourrai planter. Si je le pouvais, je partirais de Shushufíndi, sans le moindre doute. »

Bien que méconnu au Brésil et dans le monde entier, le désastre environnemental provoqué par Texaco, avec l’aide des gouvernements successifs, en Amazonie équatorienne est comparable aux accidents ayant eu lieu en Alaska avec le pétrolier Exxon-Valdez, en 1989, et sur la côte espagnole, avec l´embarcation Prestige, en 2002. Sauf que, au lieu d´avoir fui dans la mer, le pétrole s´est répandu dans la forêt, habitat non seulement d´animaux, mais aussi de personnes. Des organisations non gouvernementales, comme la britannique Oxfam, classent la contamination pétrolifère en Équateur comme la « catastrophe environnementale du siècle. » L´entreprise étasunienne, cependant, ne désiste pas de sa défense. Et elle a adopté deux tactiques pour influencer la décision du magistrat Juanm Núñez Sanabria, le juge responsable de l´affaire. La première sentence sur la querelle millionnaire doit être prononcée en fin d´année, avec droit d´appel pour chacune des parties.

La cible préférée de Texaco, c´est Pablo, accusé à de multiples reprises de ne chercher que la célébrité et la richesse en salissant l´image de l´entreprise. Il est vrai que l´avocat a atteint un certain niveau de gloire. Grâce à son travail en faveur des communautés, il est connu et reconnu par tous à Shushufíndi, Lago Ágrio et Sacha, les trois municipalités équatoriennes les plus affectées par la contamination. Il reste tout de même relativement méconnu dans le reste du pays, et ce, malgré le prix qui lui avait été attribué par la chaîne de télévision CNN et la fondation américaine Goldman, et qui lui avait donné droit à un clip vidéo et un discours. L´image préférée des média internationaux pour décrire l´avocat est celle d´un petit David, métis et sous-développé, engagé dans une lutte inégale contre le Goliath impérialiste. Toutefois, la richesse est loin des portes de Pablo. L´avocat continue d’habiter dans une petite maison de deux chambres à Lago Ágrio. De là-bas, il prend le bus pour Quito au moins trois fois par mois. Il partage sa vie entre deux bureaux, un à la capitale et un en Amazonie, tous deux bondés d´enveloppes en papier kraft et de tomes bien plus gros que la Bible, autant de preuves soutenant sa défense. Huit heures de bus séparent les deux villes. Pablo profite du « temps libre » dont il dispose sur le trajet pour apprendre l´anglais de la même façon qu´il apprit le droit : seul. Et si pour obtenir son diplôme il a bénéficié d´une bourse d´études de l´église, il compte aujourd´hui avec l´aide d´un discman.

Une autre stratégie de Texaco consiste à inclure l´état équatorien comme accusé dans le procès judiciaire. Selon une information de la compagnie, « les principaux problèmes de santé de la région ne sont pas le résultat des opérations pétrolières, mais bien du manque d´infrastructures pour le traitement de l´eau, le système sanitaire de base et l´accès insuffisant de la population aux soins médicaux. » Pour cela, l´entreprise « repousse fermement l´idée d´endosser la responsabilité de résoudre les problèmes de la région, qui résultent de l´indisposition ou de l´incapacité du gouvernement et de l´entreprise pétrolière nationale à répondre à ses obligations. » A plusieurs reprises, des avocats de Texaco en Équateur ont mis en doute la responsabilité des écoulements et de la construction des piscines de résidus toxiques existants dans les environs. Adolfo Callejas a l´habitude de dire que le pétrole déversé dans la nature ne montre pas le logotype de l´entreprise étasunienne et, comme il est impossible de le dater, on ne peut pas savoir avec exactitude qui est responsable de la tragédie, Texaco ou, plus récemment, Petroecuador. La compagnie allègue également que – sous supervision des autorités équatoriennes – elle a exécuté un programme de récupération environnementale d´une valeur de 40 millions de dollars avant de sortir du pays. « Les travaux ont fait l´objet d´inspections et furent certifiés et approuvés par le gouvernement d´Équateur, qui libéra pleinement et cabalistiquement Texaco de toute plainte ou obligation future. »

Toutefois, un document de caractère « personnel et confidentiel », émis par les bureaux de l´entreprise aux États Unis pour une succursale équatorienne semble être la clé de l’opposition à ces allégations. Le 17 juillet 1972, R.C. Shields écrivit en Floride une lettre à N.E. Crawford à Quito, expliquant les procédures recommandées pour rapporter des incidents environnementaux :

Seuls les évènements importants doivent être communiqués. Un « évènement important » est défini comme celui qui attire l´attention des moyens de communication ou des autorités ou qui, selon votre opinion, mérite d´être rapporté. Aucun rapport ne doit être élaboré sur la base de données. Tous les communiqués précédents doivent être détruits.

Pour cela, et pour d´autres raisons, Pablo ne considère pas la possibilité de défaite devant les tribunaux. « 55 inspections judiciaires ont été effectuées et chacune d´entre elles montre qu´il y eu une contamination par hydrocarbonates, que cela a porté préjudice à la santé humaine, que les peuples indiens ont été affectés, que Texaco a pollué intentionnellement, que les dommages ont été provoqués pour des raisons économiques et aussi probablement par racisme. » Pablo a tout sur le bout de la langue. « Ce serait pervers de donner gain de cause à l´entreprise. »

Pas très loin de Shushufíndi, mais pas tout près non plus, on trouve une étendue d’un million d´hectares connue comme Parc National de Yasuní. Là, le gouvernement équatorien a récemment trouvé de nouveaux gisements de pétrole. Nouveaux et importants. On estime que 20% des réserves du pays se cachent sous la forêt encore vierge. Ce sont plus de 850 millions de barils qui pourraient permettre au secteur pétrolier équatorien de survivre, secteur en voie d´extinction dû au tarissement des vieux puits en opération depuis les années soixante-dix. Pour exploiter le Yasuní, il sera cependant nécessaire d´abattre une partie de la forêt. Cela signifierait attenter à un des patrimoines mondiaux de la biosphère, titre que l´Unesco concéda à ce lieu parce qu´y ont survécu au moins 165 espèces de mammifères, 110 d´amphibiens, 72 de reptiles, 630 d´oiseaux, 1130 d´arbres et deux groupes indiens en isolement volontaire, les tagaeris et les taromenanis, qui ont décidé de s´interner dans la jungle pour éviter le contact avec le monde occidental.

Pour préserver ce territoire intact du pays, et certainement en ayant le mauvais exemple de Texaco en tête, le président Rafael Correa a décidé d´innover. Il s´est engagé à ne pas creuser un seul puits dans le Yasuní s´il recevait, de la part de la communauté internationale, une compensation financière d´au moins 300 millions de dollars annuels pendant une période de dix ans. La somme varie selon le cours du baril de pétrole, mais elle correspond à la moitié de la facturation qui serait réalisée par le pays s´il décidait d´extraire le pétrole de la forêt. C´est le prix de la renonciation. « Ce sera un sacrifice partagé entre l´Équateur et le monde », dit Correa. Mais cela n´a rien à voir avec de la philanthropie.

Toutes les émissions de CO2 qui seraient évitées en laissant le combustible sous terre pourraient être négociées sur le marché du carbone établi par le Protocole de Kyoto ou par un mécanisme similaire devant encore être inventé. L´Équateur vendrait donc des « droits de contamination » aux gouvernements européens, qui à leur tour vendraient aux enchères ces quotas aux entreprises n´atteignant pas les objectifs de réduction des émissions établis par les accords internationaux. Ainsi, les pays développés pourraient maintenir leur rythme de production industrielle et l´Équateur recevrait l´argent qu´il recevrait s´il abattait la forêt pour l´extraction du pétrole. La jungle demeurerait entière, les animaux vivants, et les peuples indigènes loin de la civilisation blanche – l´ordre actuel des choses.

« Le capital international obtenu grâce à la vente des crédits de carbone serait utilisé principalement pour promouvoir un changement dans l´offre et la demande d´énergie du pays, de telle façon que l´économie équatorienne devienne plus durable. Nous voulons développer la génération de l´énergie hydroélectrique, géothermique, éolienne et solaire pour que d´ici à quelques années l´Équateur réduise au maximum sa dépendance au pétrole », explique Carlos Larrea, conseiller technique de l´initiative. – Un autre objectif du projet est d´investir dans le développement humain et social dans les domaines de la préservation, ce qui éviterait aux habitants de détruire la forêt pour survivre.

Un des paris des défenseurs du Yasuní est d´habiliter les communautés indigènes et riveraines à travailler dans l´écotourisme. C´est ainsi que le gouvernement prétend combattre la déforestation et autres activités prédatrices qui, peu à peu, et aussi à cause du manque de contrôle, dégradent les réserves naturelles du pays. C´est exactement cette idée qui suscite la méfiance d´une des plus importantes écologistes de l´Équateur. Esperanza Martínez, de l´ONG Acción Ecológica, ne manque pas d´éloges sur la décision du gouvernement de maintenir la forêt, mais elle ne croit pas que l´initiative représente une rupture avec le modèle de développement adopté par le pays et qui, au fil des années, est le responsable de la silencieuse dégradation environnementale.

« Comme nous n´avons pas encore de modèle alternatif à suivre, ce que nous pouvons faire, c´est freiner l´avancement du développement actuel jusqu´à ce qu´apparaisse une alternative. Dans ce sens, la préservation du Yasuní est une conquête impressionnante. Le parc doit être conservé, mais cela ne signifie pas nécessairement un changement de modèle économique pour le pays. Un Équateur post-pétrolier n´est pas un Équateur d´exploration minière ou de barrages. Pour tout cela, on peut affirmer, sans exagérer, que l´Équateur passe actuellement par un des moments les plus importants de son histoire. »

Il y a un (plus tout à fait) nouveau président, une nouvelle constitution et un chemin assez incertain vers l´avant. Rafael Correa est une personne assez jeune. Il a 46 ans et n´a jamais vraiment été lié à la politique. Avant d´intégrer le Movimento Pátria Altiva e Soberana, parti dont il est aujourd´hui le leader, il n´était qu´un tranquille professeur d´économie dans la plus grande et la plus chère université privée de Quito. Né dans une famille de classe moyenne, il a suivi une éducation religieuse, a fait sa maîtrise en Belgique et son doctorat aux États-Unis. Il ne montre pas l´ombre de lutte sociale du Bolivien Evo Morales ou du Brésilien Luiz Inácio Lula da Silva. Il n´a jamais été poursuivi par aucune dictature ou été leader d´un syndicat. De telle manière que plus d´une fois Hugo Chavez a utilisé le terme Chicago boy pour faire référence à sa trajectoire personnelle. Malgré cela, quand il a été élu pour la première fois en 2006, Rafael Correa affichait un sourire sur son visage et un projet dans les mains : rompre avec les traditions politiques équatoriennes.

« C´est un individu différent de tous les présidents précédents. Il a surgit de secteurs non traditionnels de la politique, mais avec une vision progressiste jamais vue au gouvernement. Correa vient d´ailleurs. Il n´a jamais rien eu à voir avec la politique. C´est comme s´il était entré par la fenêtre », explique le journaliste Kintto Lucas, auteur de Rafael Correa, un extraño en Carondelet4 (Editora Planeta).

Carondelet est le nom du palais qui abrite le gouvernement équatorien. Là, ces dernières douze années, se sont succédé sept présidents dans un triumvirat militaire. La crise institutionnelle a commencé en 1996. À l´époque, Abdalá Bucaram, un descendant libanais qui affichait fièrement une moustache à la Adolf Hitler, gouvernait le pays. Il aimait dire qu´il avait les testicules plus grosses que ceux de ces adversaires ou que le sperme de ses opposants était aqueux. Son mandat ne dura pas longtemps. Un peu plus de six mois, le temps suffisant pour commettre des bizarreries mémorables, comme déclarer héros nationaux certaines personnes qui avaient contracté le sida dans une clinique privée, ou rendre hommage à une Équatorienne résidant aux États Unis parce qu´elle avait été relaxée après avoir coupé le pénis de son mari. Comme si cela ne suffisait pas, Bucaram fut impliqué dans des dénonciations de corruption. La société, bien sûr, réagit. D´intenses protestations obligèrent le Congrès à le destituer. La principale justification des parlementaires pour en finir avec le gouvernement naissant de Bucaram fut la supposée « incapacité mentale » du président à diriger le pays.

Le symbole le plus fort de son excentricité a surement été son intention déclarée à amener Diego Armando Maradona au Barcelona de Guayaquil pour y défendre les couleurs de l´équipe pour un match seulement. L´embauche du joueur argentin n´aurait pas couté moins d´un million de dollars, payé, évidemment, avec l´argent public.

La chute d’Abdalá “El Loco” Bucaram5 jeta l´Équateur dans un va-et-vient présidentiel actionné à tour de rôle par les Forces Armées, le peuple insatisfait ou le mécontentement général. Le dernier à tomber fut Lucio Gutiérrez, qui ne supporta pas la pression d´un Palais de Carondelet assiégé par les manifestants et désista dans le courant de 2005.

Rafael Correa, a réussi, au moins pour l´instant, à mettre un frein au processus. Il a aussi réussi à faire approuver une nouvelle constitution qui reconnait une série de droits inédits en Amérique Latine. L´un d´entre eux est la plurinationalité. Depuis son fondement en 1830, et avant, l´Équateur est un état qui abrite plusieurs nationalités. Par essence, ces nationalités possèdent des langues, des économies, des formes de justice, des religions, des traditions et des cultures différentes. Aujourd´hui, au moins sur le papier, le pays reconnait la validité et la richesse de chacune d´entre elles. Et elles sont nombreuses, qu´elles soient indigènes ou afro-descendantes, blanches ou métisses. Elles sont éparpillées dans la Cordillère des Andes, la forêt amazonienne, le littoral et les îles du Pacifique – les quatre mondes existants sur le territoire équatorien. Le nouveau texte constitutionnel déclare aussi l´environnement comme une entité juridique dont la survie – c´est à dire la conservation – jouie de garanties légales. « La Nature ou Pacha Mama, où se reproduit et se réalise la vie, a le droit d´être respectée intégralement dans l´existence, préservation et régénération de ses cycles de vie, structures, fonctions et processus évolutifs », dit l´article 71. Mais il est évident qu´aucun arbre, jaguatirica6 ou jacaré7 ne fera de manifestation en cas de non-respect de ses droits par le gouvernement.

Pour cela, la Constitution laisse aux hommes la responsabilité de surveiller les écosystèmes et d´exiger du gouvernement qu´il applique la loi. Les droits de la nature sont, en bonne partie, la reconnaissance que, ni le système capitaliste actuel, ni la supposée bonne volonté de l´être humain n´ont été suffisants pour empêcher la destruction de la planète. Au contraire, on pourrait dire qu´ils ont été responsables de la dévastation croissante. Texaco et Shushufindi en sont la preuve.

Enfin, une autre nouveauté de la Constitution équatorienne est le principe de « vivre bien » ou, en quéchua, sumak kawsay. Il s´agit de voir l´homme en harmonie avec lui-même et avec la nature. Cela peut sembler difficile de comprendre, ou trop abstrait pour être appliqué à la vie réelle, mais en vérité, l´idée est assez simple. L´être humain ne réussit à vivre en communion avec la nature que lorsqu´il peut tranquillement boire l´eau d´une rivière (parce qu´il sait qu´elle n´est pas polluée), qu´il ne contracte pas de maladie respiratoire parce qu’il est obligé d´inhaler l´air contaminé, qu´il peut profiter des bois dont toute la biodiversité a été conservée ou qu´il consomme des aliments cultivés sans pesticides et autres produits chimiques agricoles nuisibles à la santé. Le sumak kawsay est une relecture des valeurs indigènes qui, peu à peu, ont été détruites par la civilisation occidentale. Il ne communique pas seulement la possibilité, mais principalement la nécessité de changer les habitudes et attitudes relatives à la nature. Parce que c’est de là que nous venons et que nos vies en dépendent.

La présence des concepts fondamentaux de la pensé aborigène dans la nouvelle constitution équatorienne est le résultat d´une lutte sociale permanente dont l´épisode inaugural fut le recensement indigène de 1990. À cette occasion, une bonne partie du pays fut paralysé quelques jours par des marches, des manifestations, des grèves et des occupations réalisées par des Indiens de différentes nationalités de l´Équateur. En avant de la rébellion, on trouvait les communautés établies dans les Andes. Ce sont elles qui ont marché jusqu´à Quito pour exiger du gouvernement qu´il réponde aux traditionnelles demandes de réforme agraire et d´accès à la terre, mais pas seulement.

« Comme la pensé coloniale, le racisme et la discrimination contre les peuples originaires existaient encore, le recensement prétendait rendre la question indigène visible pour la société », explique Luís Macas, intellectuel et activiste quéchua qui mena la rébellion de 1990. « Nous avons mis les problèmes de l´accès aux terres et à la démocratie sous le feu des projecteurs, mais nous cherchions principalement la convocation d´une assemblée constituante qui permette de réformer l´Etat et de reconnaitre le caractère plurinational de l´Équateur. »

La base matérielle à partir de laquelle les peuples indigènes peuvent y pratiquer leurs cultures est le territoire. Ce n´est pas pour rien que le processus d´appauvrissement et la misère auxquels les habitants originaires de l´Amérique furent soumis commença avec l´arrivée des Espagnols et l´instauration de modèles agricoles seigneuriaux tournés vers l´exportation. Mita, concertaje, obraje, huasipungo, il y eut beaucoup de règles d´esclavage que les conquérants européens, d´abord, et l´élite créole, ensuite, inventèrent pour soumettre et explorer l´indigène équatorien.

Le chantier colonial débarqua en 1526 sur les terres connues plus tard comme l´Audience de Quito et, avec l´indépendance, comme Équateur. En vérité, avant d´être baptisé du nom de la ligne imaginaire qui divise le monde, l´Équateur s´appelait Département du Sud. C´était l´un des trois territoires de la Grande Colombie, un immense pays formé par ce que l´on appelle aujourd´hui Venezuela, Colombie et Équateur et dont l´union était le plus grand rêve du libérateur Simón Bolívar.

Luís Macas considère que le processus colonisateur qui débuta il y a 500 ans avec Francisco Pizarro n´a pas encore terminé. De nombreuses rébellions eurent lieu dans les domaines fermiers et les villes depuis lors, mais c´est seulement en 1990 que les indigènes se firent entendre réellement pour la première fois. Et ils profitèrent de l´opportunité pour commencer à fortement remettre en question les valeurs défendues par la civilisation occidentale, qui commençait alors à s´exprimer par des politiques néolibérales et des privatisations.

Les Indiens furent les grands acteurs politiques et sociaux équatoriens des années 90. Et, profitant de l´appel populaire qu´ils gagnèrent pendant le recensement, ils fondèrent le Pachakutik, un parti à travers lequel ils commencèrent à disputer les élections. Sa force, cependant, a toujours été plus présente dans les communautés rurales, le travail collectif, le respect de la nature et la culture des fruits et légumes qui alimentent l´Équateur, qu´au Parlement. Les valeurs indigènes, qui pénétrèrent les rues de Quito pendant les années 90, contribuèrent en bonne partie à la chute de trois présidents en moins de dix ans. Ama quilla, ama shua, ama llulla (ne pas mentir, ne pas voler, ne pas chômer) furent pour un moment les contributions politiques du mouvement indigène qui se propagèrent dans la société et qui, pour le bien et pour le mal, donnèrent place au cycle d´instabilité politique et institutionnelle qui débuta en 1996.

Le changement, toutefois, semble venir au compte-goutte. D´ailleurs, il est très compliqué de parler de changement dans un pays où chaque citoyen a dans sa manche la solution aux problèmes nationaux. Ce n´est pas que les Équatoriens soient un peuple politisé, mais ils aiment parler de politique. Rafael Correa, par exemple, bénéficie de l´appui de la majorité, mais il est encore loin de faire l´unanimité. Lors des dernières élections, en avril, il a obtenu 51% des votes. Lucio Gutiérrez, qui, il y a quatre ans, a utilisé un hélicoptère pour fuir du pays et d´une foule en délire, avait obtenu 30%. Correa a gagné au premier tour et a encore quatre ans devant lui, mais beaucoup bavent de rage quand il commence à parler de son gouvernement. À chaque fois que le président fait un discours ou défile aux côté d’Hugo Chávez, par exemple, quelqu´un, dans les quartiers les plus aisés de Quito ou de Guayaquil, perd le sommeil ou entre dans une discussion. Si le gouvernement va à l´encontre des profits abusifs d´une compagnie transnationale, alors… Les journaux et la télé sont les plus grands adversaires politiques du président. Ils verbalisent et transmettent tous les jours à 14 millions d´Équatoriens les valeurs d´une opposition qui a été défaite lors des six consultations populaires, élections et référendums compris, réalisées durant les trois dernières années. Cependant, le président possède également des opposants à gauche. A commencer par le mouvement indigène et écologiste, qui depuis longtemps lutte pour un vrai cambio8 pour l´Équateur. Et le point névralgique qui sépare le passé du futur est le respect de l´environnement. La seule façon de réellement briser les paradigmes – disent-ils – c´est de changer le modèle de développement.

« Quand nous parlons de « modèle de développement », nous faisons référence à la forme d´accumulation et de distribution du développement. Depuis 1830 et jusqu´à aujourd’hui, nous avons été un pays primaire-exportateur de banane, de café, de cacao et de crevette. Ensuite, nous avons découvert le pétrole. Nous avons essayé de viabiliser l´industrie, mais ce n´a pas été possible », témoigne René Ramirez, secrétaire national de la Planification. « Maintenant nous voulons construire d´autres moyens pour gérer de la richesse. Mais cela ne se fait pas d´un jour à l´autre. »

N´importe qui sait – parce que cela se voit – que l´Équateur n´est pas un pays développé. Non pas parce que les gens n´ont pas d´iPod dans la poche ou d´ordinateur portable dans le sac à dos, mais parce que les taux d´analphabétisme sont si hauts et que les services basiques de santé et d´éducation sont loin d´une bonne partie de la population, parce que le racisme envers les Indiens et les noirs est encore très présent, parce que la société équatorienne est extrêmement inégale et que la délinquance ne fait qu´augmenter. L´argent que l´on tire de la terre – que ce soit des fermes ou des puits de pétrole – ne profite qu´à peu. Shushufíndi, encore une fois, sert de (mauvais) exemple. C´est de là que viennent les réclamations pour un changement profond, structurel qui, s´il dépendait de Rafael Correa, ne surgirait pas avant les vingt prochaines années. Une nouvelle loi d´exploitation minière vient d´être approuvée, et à cause d´elle, des scènes désolatrices pour certaines régions qui devraient être protégées pour leur biodiversité sont à espérer.

« La richesse de ce pays est immense, elle est supérieure à 200 milliards de dollars. Nous allons laisser tout cela intact parce qu´on ne peut pas abattre un arbre ou un oiseau ? », s´est demandé le président lors d´une de ses défenses de l´exploitation minière. « Détruire la jungle peut être immoral, mais renoncer aux ressources qui peuvent tirer un pays du sous-développement, qui peuvent éliminer la misère et la pauvreté de notre patrie est encore plus immoral. »

L´insistance de Rafael Correa a provoqué d´importants découragements dans son gouvernement. Le mouvement indigène est l´un de ceux qui ont dérobé le soutien au président, un soutien qui jusqu´alors était inconditionnel. Alberto Acosta, un des économistes les plus importants du pays aussi. Avant de commencer à critiquer le correisme, il fut ministre de l´Énergie et des Mines et présida l´assemblée qui a écrit la nouvelle constitution. Les dissensions, cependant, devinrent de plus en plus insoutenables. De nouveau, la question écologique parla plus fort.

« Nous devons reconnaitre que le pétrole touche à sa fin, qu´il provoque de graves problèmes environnementaux et surtout que nous ne pouvons pas continuer à vivre simplement de ce que la nature nous donne. Pour cela, une proposition post-pétrolière doit être simultanément une proposition post-extractiviste, argumente-t-il. Il ne s´agit pas seulement d´abandonner le pétrole, mais de faire que l´exploitation contaminatrice des ressources naturelles ne soit plus la base de notre développement, ou mieux, de la croissance économique, parce que l´extractivisme n´a jamais géré de développement. »

La loi minière ouvre les portes à l´extraction de grande échelle et à ciel ouvert. Les cibles sont les gisements d´or, d´argent, de cuivre et de tout ce qui pourrait être trouvé dans le sous-sol équatorien. Qui a déjà vu des photos de la Serra Pelada9 à l´apogée de l´exploitation aurifère ou des régions minières du Chili et de la Bolivie peut imaginer les conséquences de cela pour la réserve florestale, pour les rivières et pour la population locale. Shushufíndi a servi d´alerte pour ne pas toucher au pétrole de Yasuní, mais il semble que n´ait pas été suffisant pour contenir les aspirations du gouvernement face à l’éclat des métaux précieux.

Malgré cela, Rafael Correa est convaincu que son socialisme du XXIè siècle est l´alternative. Et, quand j´eus l´opportunité de questionner son gauchisme, lors d´un entretien collectif obtenu un jour après sa réélection, le président n´a pas hésité à se défendre à l´aide d´exemple du passé.

« Si l´on soutient l´exploitation minière, on est de droite, donc Che Guevara était de droite et Fidel Castro est de droite, parce qu´un des principaux produits d´exportation de Cuba est le zinc, qui, de plus, est exploité en mines à ciel ouvert. La Chine aussi serait un pays capitaliste puisqu´elle a déjà beaucoup de mines. L´Union Soviétique avait aussi l´exploitation minière… ».

Je me rappelle alors de Melânia, de sa casquette jaune délavé presque blanche, de ses 40 et quelques années, de ses cinq avortements et de sa maison en bois, depuis la fenêtre de laquelle on peut contempler un puits de pétrole et une tour d´incinération perpétuelle de gaz. Je me rappelle qu´à côté elle cultive, avec l´aide de ses trois filles qui ont réussi à naitre, un jardin de cacao, de maïs et de manioc, et que quelques poules et quelques porcs se promène dans le potager sans se préoccuper de rien. Je me rappelle qu´un jour tout n´était qu´une piscine de pétrole, et que tout a été enterré sans aucun traitement. Et je me rappelle de la réponse qu´elle avait donnée, platement, à la dernière question de notre entretien, après avoir discuté des bonheurs et des malheurs d´habiter là.

– Y a-til autre chose que vous voudriez dire, Melânia ?

– Non… – rires. – Je n´ai rien à dire.

C´est comme si la parole avait perdu son pouvoir dans le désespoir des discours vides. (cc)

notes

1 Mot d´origine tupi, tribu brésilienne, désignant de manière générale les enfants indigènes.
2
Habitants de Shushufindi.
3
Près de 80 milliards de litres.
4 Rafael Correa, un étranger à Carondelet
5 Abdala “Le Fou” Bucaram.
6 Carnivore sauvage de la famille des félidés, aussi connu sous le nom de maracajá, vivant en Amérique, depuis le nord du Mexique jusqu´à la Bolivie et le Brésil.
7 Caïman sud-américain.
8 Changement.
9 Serra Pelada est une région de l´État du Pará (nord du Brésil) qui devint célèbre durant les années 80 à cause d´une ruée vers l´or moderne car la plus grande mine à ciel ouvert y avait été ouverte.

honduras e o autogolpe do psdb

04/07/2009 § Deixe um comentário

Presta o jornalismo brasileiro mais um desserviço esta semana com a cobertura sobre Honduras. A começar pelas tentativas de justificar o golpe, que não eram somente frágeis, mas principalmente mentirosas. Em momento algum Manuel Zelaya propôs que fosse ele o reeleito. Pontue-se que a pergunta a ser feita paralelamente às eleições de fim de ano era sobre a convocação de uma Constituinte.

A Folha deste sábado (4) dá uma aula exemplar de diversos pesos, diversas medidas. Em primeiro lugar, o governo golpista não é tratado como tal, mas como “governo interino”. Claro, por que alguém não pode decidir passar um tempinho na presidência?

A recusa de José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, em conversar com os seguidores do golpista Roberto Micheletti é tida pelo repórter Fabiano Maisonnave (ou seu editor, dá no mesmo) como o primeiro passo de uma dificuldade das duas partes em chegar a um acordo. Afinal de contas, todo governo golpista, no fundo, quer é chegar a um acordo, está louco por isso.

A OEA, até outro dia a toda-paciente com seus 47 anos de veto a Cuba, é agora a intransigente: “Na entrevista coletiva de ontem à noite, Insulza voltou a qualificar o que houve no país de ‘golpe militar’”. Mais uma vez, fica evidente como é maldosa essa insistência do chileno em chamar de golpe o que ocorreu em Honduras. Semanticamente impecável seria dizer que houve uma “transição de poder”.

Hugo Chávez aparece como um “aliado do ex-presidente e considerado por muitos no país como o pivô da crise”. Obviamente, uma vez que todos os envolvidos no rearranjo de poder – diga-se dessa forma para que não se provoque rebuliço – eram pessoas das mais bem intencionadas e jamais quiseram provocar uma crise, longe disso. A transição foi feita na mais absoluta tranquilidade, como mostram os relatos dos dias seguintes aos fatos.

Além disso, destaca a reportagem que “a substituição de Zelaya por Micheletti, até domingo presidente do Congresso, contou com respaldo de todos os Poderes hondurenhos, da cúpula das Forças Armadas, da maior parte dos empresários e da maioria do Partido Liberal”. Uma substituição, assim, como num jogo de futebol.

Teria gritado Micheletti: Ô Zelaya, sai aí que eu to loco pra marcar um golzinho?

Obviamente, Zelaya, que não é bobo nem nada, jogou o treinador contra a torcida ao se negar a sair. Que desleal.

Esquece-se a Folha de dizer que os mesmos “todos Poderes hondurenhos” são nomeados pelo… Congresso que, agora sim auxilia-nos o repórter, era presidido até semana passada por Micheletti.

Até agora, o jornal negou-se a fazer uma análise aprofundada da vida partidária em Honduras, mostrando que, até os primeiros anos do governo Zelaya, os movimentos sociais e sindicais eram duramente reprimidos.

Mais do que isso, o país vive há 108 anos um sistema bipartidarista, em que duas legendas revezam-se no poder – uma é o PLH de Zelaya e Micheletti; outra, o PNH, que apoia a pena de morte e tudo que se pague para que eles apoiem.

Voltando ao glorioso parágrafo da Folha, a cúpula das Forças Armadas, usada para justificar o apoio interno a Micheletti, foi formada na década de 80 pela Escola das Américas, plano de treinamento da CIA que formou os exércitos sul-americanos responsáveis pela Operação Condor das décadas de 60 e 70 – apenas para resumir de maneira grotesca.

Na década de 80, presidentes extremamente favoráveis aos Estados Unidos permitiram que por ali fosse instalada uma base estadunidense de treinamento para combater os sandinistas. Nessa época, formou-se a mentalidade da mesma cúpula das Forças Armadas que hoje serve de embasamento para o golpe. Não por acaso, o embaixador dos EEUU na época era John Negroponte, o mesmo do Vietnã de Johnson e do Iraque de Bush. Os ovos que ele botou, portanto, finalmente vieram à luz. Se esses se tornaram vivíssimos agora, 30 anos depois, é bom começar a ter medo do que estará por vir.

Não é exagerado, portanto, estabelecer um paralelo entre o que ocorreu em Honduras agora e a Venezuela em 2002, embora deva-se dizer que há um espaço infinito ideologicamente entre Zelaya e Chávez. E, também, é o mesmo caso ocorrido na Bolívia, em que tentativas de golpe não foram levadas a cabo por fatores que se desconhece.

Volto ao tema do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz e às suas reais intenções.

Em Santa Cruz, Bolívia, lembro-me das conversas que tivemos com a professora Paula Peña, da Universidade Autônoma Gabriel René Moreno, e o amigo dela, um pintor-escritor-historiador cujo nome me foge à memória. Diziam eles que não tinham preconceito algum contra Evo Morales pelo fato de ele ser indígena. O problema era que Evo queria fazer imperar no país o modelo de desenvolvimento superado, sem participação do capital privado, algo incaico. E eles, como crucenhos, tinham o direito de fugir daquele modelo.

Para os dois historiadores, bom modelo de desenvolvimento para a Bolívia era German Busch, militar que governou o país entre 1938 e 39. Se ocorressem hoje, os três golpes dados por Busch provavelmente receberiam outro nome da Folha. E, claro, o governo dele seria interino.

E o que o PSDB fez no meio da semana, que seria? No português correto, um autogolpe. No português da Folha, uma prorrogação de mandato. Sai apenas na esvaziada edição de sábado a notícia de que, na quarta, a Executiva Nacional do PSDB “prorrogou o próprio mandato por mais um ano e confere a si mesma o poder de manter ou destituir diretórios estaduais”.

Começa a matéria dizendo que houve o aval dos governadores José Serra e Aécio Neves. Informa ainda o jornal que caberá à “Executiva Nacional buscar uma saída negociada nos estados onde há risco de turbulência”. Em outras siglas, a tal turbulência é também conhecida como discussão interna, ou melhor, democracia.

Estranhamente, os repórteres em momento algum ouvem fontes do próprio partido que sejam contrárias à medida – e certamente há, embora a estrutura interna tucana não seja exatamente um modelo de amplo debate. Não há alusões ao chavismo e o jornal tampouco fala que a medida vai atrasar a “substituição” das forças internas.

Se fosse em um partido da esquerda, ou mesmo no PT, qual seria a classificação da Folha para a medida? Bom, ditabranda certamente não seria. –joão peres (cc)

semiautobiográficos, 2

28/06/2009 § Deixe um comentário

É difícil entender exatamente o que ocorre quando viajamos. Longe de casa, poros ficam mais abertos, olhos, mais atentos, cheiros entram pelas narinas para dormirem tranquilamente por anos na memória. Posso lembrar-me perfeitamente dos traços de pessoas com as quais jamais troquei uma palavra, e lembro-me das palavras proferidas por pessoas as quais não me lembro o nome ou nem mesmo os traços.

Durante os últimos anos, visitou-me a lembrança de Gladys Helena, uma menina de apenas oito anos com a qual conversamos enquanto a altitude permitiu no trajeto entre Cochabamba e La Paz. Na ocasião, chamou-nos atenção a maneira como a menina falava com desenvoltura sobre política. Conversou uns bons minutos a respeito de variados temas bolivianos.

Na época em que Gladys Helena era criança, 2004, a Bolívia havia acabado de viver a queda de Gonzalo Sánchez de Losada, um dos presidentes mais fabricados que qualquer país do mundo já teve. Quando eu era criança, caía Fernando Collor, coincidentemente ou não, um presidente fabricado. Goni retardou a chegada de Evo Morales ao poder. Collor atrasou a vida de Lula – e é provável que hoje Lula agradeça, mas não é esse o mérito da questão.

Naqueles dias, e por mais um ou dois anos, Gladys Helena foi na minha cabeça o exemplo consolidado de como, apesar das debilidades da educação formal, a Bolívia tinha um processo muito mais vivo de discussão política que no Brasil. Entre outras coisas, Gladys falou-nos naquele momento que Evo Morales, então “somente” um líder cocaleiro, tinha chance de ser o próximo presidente do país.

Para a menina, a ideia de ter um cocaleiro como presidente provocava arrepios, sensação que eu provavelmente tive quando pequeno, influenciado por TV e parentes, ao ver Lula, operário, candidatar-se. Os anos passaram, Morales mostrou-se um presidente importante para a Bolívia altiplânica reconquistar sua força e a noção de Gladys Helena como exemplo de discussão política saudável diluiu-se.

Recentemente, conversei com o professor Nildo Ouriques, da Universidade Federal de Santa Catarina, sobre a reserva de espaços para os trabalhadores em jornais, rádios e televisões bolivianos. O decreto de Evo Morales recuperou uma conquista que, nas décadas neoliberais, foi deixada de lado. Para Ouriques, a Bolívia vive a reconstrução popular do Estado democrático e no vizinho há o respeito ao conceito de democracia participativa. O professor aponta que se criou erroneamente a noção de que a liberdade de imprensa é a liberdade de expressão. Na opinião dele, os veículos privados de comunicação, se existirem, devem ter um papel secundário e nunca um quase monopólio, como no caso das Organizações Globo.

Tudo isso para dizer que, hoje, de exemplo consolidado de discussão política, Gladys Helena passou a ser, na minha cabeça, mais uma vítima da manipulação dos meios. Ela reproduzia de maneira fiel a versão apresentada nas televisões e repercutida em conversas familiares.

Hoje, a situação mudou. A Bolívia é outra, Gladys Helena deve ser uma adolescente com seus 13, 14 anos. A discussão no país é, agora sim, mais real, está nas ruas de fato, e não no discurso da TV, a não ser no caso da conservadora Santa Cruz. Trata-se de um processo muito complexo e é impossível supor se Gladys Helena libertou-se da visão neoliberal de sociedade, mas pelo menos a chance de isso ter acontecido é maior em um país que vive um processo forte de mudança política e que escancara parte de seus problemas.

Pude notar a efervescência desse debate nas outras vezes em que estive em Santa Cruz e La Paz. Na primeira, por coincidência, estava nas terras do Oriente em pleno dia de uma visita de Evo Morales à região. Uma multidão hostilizou o carro em que chegou e saiu o presidente e os manifestantes favoráveis a Evo eram repudiados (inclusive fisicamente) pelos cruceños. Nos minutos que se seguiram à saída de Evo, além de um “conflito” entre as duas partes, houve gritos, protestos e falas de “Evo, Evo, acabó. Comunista de mierda, la puta que lo parió”. Uma antievista gritava com orgulho apontando para uma garçonete: “Vejam, ela é uma colla de merda, mas está do nosso lado” – não cabe aqui explicar o que é colla mas, de uma maneira perigosamente simplificada, é como se ela tivesse gritado “vejam, ela é uma índia de merda”. Os protestos eram fortemente veiculados pelas redes de TV, ao vivo e gravado. 

Um ou dois anos depois, estava de volta a Santa Cruz, agora às vésperas de um dos referendos ocorridos no atual governo. A “elite branca” crucenha iniciava mais uma greve de fome, agora contra impostos e sabe-se-lá-que-mais, e eu tinha a obrigação jornalística de ver o que tinham a dizer naquela confortável casa de um bairro rico da cidade. A opinião oficialista a respeito do assunto foi apresentada em uma fala de poucos segundos do vice-presidente Álvaro García Linera por uma das redes locais de TV. O presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Blanko Marinkovich, no entanto, teve direito a entrevista ao vivo e com longa duração – seguida por outras entrevistas para outros meios e por uma coletiva.

A música de Tom Zé que escuto neste momento parece cair a contento: “Ah, se maldade vendesse na farmácia, que bela fortuna você faria”. Mas as ações dos grandes grupos talvez tenham perdido força em uma Bolívia que não se cansa de reafirmar, nas ruas e nas urnas, o apoio a Morales. Talvez sejam as ações militantes do presidente, os discursos na sacada do Palácio Quemado, que ocorrem com frequência, e talvez seja a criação de veículos governistas ou mais bem intencionados que os anteriores.

Provoquei o professor Ouriques a pensar o que ocorreria se, no Brasil, um presidente mais independente tentasse, como fez Hugo Chávez na Venezuela, não renovar a licença de um canal de TV. Obviamente, haveria uma ação de todos os meios, entrariam no jogo os interesses dos Estados Unidos, certamente derrubariam o presidente, foi o tom da resposta do professor. “As empresas privadas de comunicação são verdadeiros monopólios que sequer praticam a função de ouvir os dois lados”, complementa.

Felizmente, nas últimas semanas temos um infeliz exemplo vivo da fala de Ouriques. Uma aula de como ocorre a criminalização de movimentos, sejam eles populares, sociais, estudantis, basta ser movimento, basta movimentar-se. Apenas para ficar nos dois “principais” jornais impressos, Folha e Estado fazem cobertura absolutamente vergonhosa dos episódios ocorridos na Cidade Universitária, em São Paulo. Os “dois lados”, que a Folha faz questão que conste em seu Manual de Redação, mas não no jornal em si, jamais estiveram em questão. Uma tentativa malograda de dar duas versões foi realizada na quinta-feira (11), quando, na seção Tendências e debates, o jornal publicou texto da reitora Suely Vilela e, em “contraposição”, saiu um artigo de José Arthur Gianotti. Não é preciso nem conhecer o professor da Faculdade de Filosofia para ver que o outro lado não esteve nem perto de ser contemplado.

Na Bolívia, Gladys Helena talvez tenha a chance de ver o mundo por outra ótica. No Brasil, a oportunidade de deixar a Gladys Helena que nos incutem desde o primeiro momento da vida é um pouco mais remota, pelo menos por enquanto. –joão peres (cc)

disputa por la integración

27/06/2009 § 1 comentário

“Los que quieren negar la importancia de la integración de nuestros pueblos sufren de ceguera histórica. Claramente tenemos un pasado común y creo que es ineludible nuestro destino común.” Las palabras son de Rafael Correa, presidente del Ecuador, que a partir del próximo 10 de agosto será también presidente pro-tempore de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur).

No sería una exageración decir que la integración regional es el pilar que sostiene la política externa ecuatoriana. Una evidencia de ello está en la propia constitución del país, aprobada el año pasado. El texto reserva un capítulo especial al tema y define que “la integración será un objetivo estratégico del estado”. No en vano Rafael Correa a menudo menciona el nombre de Simón Bolívar en sus discursos acerca de la necesidad de estrechar los lazos con los países latinoamericanos y construir la “patria grande” con la que soñaron los próceres de la independência.

Los elogios a la integración pueden parecer, pero no son, un mero artificio retórico. La última visita realizada por Hugo Chávez al Ecuador, apenas un mes después de la reelección de Correa, demostró que ambos los presidentes están interesados en el fortalecimiento de la integración regional y, más que ello, que ven en la actual crisis económica una oportunidad para intensificar los acuerdos de cooperación. Se puede decir que los mismos anhelos integracionistas –aunque con distintos matices– hacen parte de la agenda de por lo menos ocho de los 12 gobiernos suramericanos.

“No podemos continuar esperando que los países del norte cambien o que desde el norte lleguen las decisiones para perfeccionar la arquitectura financiera internacional”, dijo el mandatario venezolano. “A pesar de que Europa, EEUU y los grande países capitalistas puedan recuperarse de la crisis en un plazo relativamente corto, el mundo nunca más será el mismo. El paradigma neoliberal está pulverizado, las tesis del libre mercado, de la flexibilización laboral, de la mano invisible, todo eso se acabó. Ahora el mundo tendrá que buscar un nuevo camino.”

Es casi una unanimidad que este camino pasa por la integración. Y muchas medidas vienen siendo tomadas en este sentido, sobre todo dentro de la Alternativa Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA). Creada por Venezuela y Cuba en clara oposición al Área de Libre Comercio de las Américas (ALCA), el bloque creció en los últimos años y absorbió los gobiernos de Bolivia, Nicaragua, Honduras, Dominica, San Vicente y Granadinas y, más recientemente, Ecuador.

Hay una serie de críticas sobre el protagonismo venezolano dentro del ALBA, una vez que Chávez sería una especie de tutor que mantiene sus pupilos ideológicamente alineados a su bolivarianismo debido a la generosidad petrolera de PDVSA. Por ello la oposición de todos estos países continuadamente se queja de la supuesta sumisión de sus presidentes al liderazgo de Chávez. Pero la diplomacia chavista no puede ser definida de manera tan sencilla.

“Venezuela promueve y apoya dentro del ALBA una serie de proyectos comunes sobre su petróleo, en los que las empresas estatales de países como Ecuador pueden invertir en la explotación de yacimientos dentro de Venezuela”, explica Eduardo Gudynas, analista del Centro Latino Americano de Ecología Social (CLAES). “Se comparte, así, un recurso estratégico. Brasil, por ejemplo, nunca ha aceptado este mecanismo. Petrobras no divide nada y, al revés, intenta expandirse sobre los países vecinos.”

Gudynas define al ALBA como un “entramado de acuerdos de asistencia y complementación económica, social y cultural”, diferente de la Unasur, que se trata mucho más de un foro de discusión política y búsqueda de consensos regionales. No son, por lo tanto, dos bloques que compiten entre sí por los “corazones y mentes” de los gobiernos latinoamericanos. Disponen de objetivos distintos, y por ello países como Venezuela, Bolivia y Ecuador, a la vez que trabajan por el crecimiento del ALBA, hacen lo mismo por la Unasur.

Por ello, el asesor del Ministerio de Relaciones Exteriores ecuatoriano, Julio Oleas, afirma que el continente está asistiendo a un fenómeno interesante dentro del nuevo proceso de integración regional. “Varios grupos con objetivos integracionistas están estableciendo una suerte de competencia entre sí, una competencia que puede ser muy benéfica para los intereses de la geopolítica latinoamericana.”

Oleas explica que el ALBA ha avanzado más que la Unasur en determinadas cuestiones, mismo porque su carácter ideológico permite una celeridad en la firma de acuerdos que la incesante búsqueda de consensos dentro de la Unasur, mal o bien, impide. El más grande ejemplo tal vez sea el proyecto de unidad monetaria –el preferido de Correa– que pretende disminuir la dependencia regional de dólares. Por ello, está siendo seriamente estudiada dentro del ALBA la creación del Sucre (Sistema Único de Compensación Regional) y la confección de convenios bilaterales que creen mecanismos propios de transacción comercial y financiera que dispensen la necesidad de moneda extranjera.

Otra de las apuestas de los países del ALBA está en el Banco del Sur. En las palabras de Chávez, “está todo listo, ya se acordó a nivel técnico el documento, lo que falta es poner la plata. Venezuela está lista, y lo mismo hablamos con la presidenta argentina, con Correa y con Evo”. La intención es que la nueva institución comience a funcionar con un capital inicial de 10.000 millones de dólares. El dinero sería utilizado para financiar el mismo tipo de proyectos que hasta hoy día eran financiados con recursos del Banco Mundial, FMI y otros organismos multilaterales de crédito.

Trabas

Muchos son los retos a ser enfrentados por la tercera cumbre de la Unasur, que este año se realiza en Quito. Bajo la presidencia temporal del Ecuador, el bloque buscará consolidar los consejos –ya existentes– de Defensa, Salud y Energía. “También nos esforzaremos para que la mayor cantidad posible de grupos de trabajo se conviertan en consejos debidamente constituidos”, explica Julio Oleas. Otra prioridad será la instalación de una secretaría general permanente en la capital ecuatoriana, que es la sede de la Unasur. Para tanto, la diplomacia de Rafael Correa tendrá que vencer la resistencia del Uruguay, que se niega a aceptar el nombre de Néstor Kirchner para el puesto de “primer-ministro” del bloque.

Ésta es una pequeña muestra no sólo de que continúa resonando el impase argentino-uruguayo por la instalación de una papelera en la frontera entre los dos países, sino también de que los conflictos diplomáticos siguen desempeñando su papel como una de las principales barreras a la integración suramericana. Y son varios. Ecuador y Colombia están con las relaciones rotas desde que el ejército de Álvaro Uribe violó su territorio para destruir un campamento de las FARC. Perú sostiene una demanda internacional contra Chile por la definición de límites marítimos. A Caracas no le gustó el asilo concedido por el gobierno peruano a políticos venezolanos investigados por corrupción, y Bolivia está descontente con Lima por los mimos motivos. Paraguay exige una renegociación de los contratos de compra y venta de la electricidad generada por la hidroeléctrica de Itaipú, en la frontera con Brasil. Lula ya tuvo sus problemas con Ecuador y Bolivia por cuestiones económicas. La Paz tiene una bronca histórica con Chile por una salida al Pacífico… y con frecuencia ganan la prensa declaraciones nacionalistas de militares y funcionarios de gobiernos resucitando viejas rivalidades.

Sin embargo de ello, el canciller chileno Mariano Fernández cree que la situación ha mejorado mucho en los últimos años. No es demasiado recordar que la última guerra suramericana –la Guerra del Cenepa– ocurrió en 1995, cuando Alberto Fujimori condujo tropas peruanas a un pequeño territorio ecuatoriano en la Cordillera del Cóndor. Desde entonces, los enfrentamientos bélicos entre países vecinos en el continente parecen haberse transformado en algo anacrónico e inaceptable. La incursión colombiana en Ecuador el año pasado, por ejemplo, fue inmediatamente condenada tanto por el Grupo de Río como por la Organización de los Estados Americanos (OEA). Tal vez por primera vez desde la independencia, un conflicto armado –su eminencia o posibilidad– no hace parte de la realidad regional.

“Durante muchos años tuvimos países liderados por caudillos civiles y militares que prefirieron explorar rivalidades internacionales, sobre todo en temas fronterizos, para obtener cohesión interna alrededor de sus gobiernos”, recuerda el ministro de RREE chileno. “Eso ha cambiado, especialmente después del fin de las dictaduras de la seguridad nacional, cuyo legado de injusticia ha dado paso a un continente en donde prácticamente todos los gobiernos son elegidos de manera democrática. Uno podría sostener sin ambigüedades que en América Latina la democracia es sinónimo de integración y la integración es sinónimo de democracia”, concluye.

Mariano Fernández aun señala el gradual cambio de posición de algunos países suramericanos en la división internacional del trabajo. Históricamente condenada a producir materias-primas, venderlas a Europa y EEUU y comprarles bienes manufacturados, relegando el comercio regional a la última de las prioridades, hoy las relaciones financieras dentro de América del Sur se han incrementado bastante. El caso de Chile es un buen ejemplo. En 1958, la economía chilena se apoyaba sobre el cobre. El mineral era responsable por 90 por ciento de las exportaciones del país. Un 50 por ciento de las ventas externas se dirigían a Europa y otros 40 por ciento, a los EEUU. “Hoy Chile tiene en el cobre apenas 45 por ciento de sus exportaciones. Hay una enorme diversificación de productos, de los cuales 30 por ciento van para Asia, 30 por ciento a Europa, 20 por ciento a América del Norte y 20 por ciento a América Latina”, subraya Fernández.

El cada vez más grande intercambio comercial entre los países suramericanos es uno de los puntos neurálgicos de la integración. Y muchas voces creen que un proceso de acercamiento regional no puede avanzar sin una sólida asociación económica que la sostenga. “Para que exista una integración efectiva, los países vecinos deben también ser los primeros socios comerciales unos de los otros”, comenta Guillaume Long, experto de la Facultad Latino Americana de Ciencias Sociales (FLACSO). “Es lo que ocurre en la Unión Europea, pero en América Latina el principal socio de muchos países son los EEUU. Los países de la Comunidad Andina de Naciones, por ejemplo, exportan entre sí solamente un 15 por ciento de sus ventas internacionales.”

Aquí, empero, Long apunta otro problema: la presencia de un país hegemónico en el continente, es decir, Brasil, que a su juicio es “la solución y a la vez el problema de la integración regional”. Nadie pone en duda la fuerza de la economía brasileña dentro de América del Sur, pero, si algo molesta a los actuales gobiernos vecinos, ello es el subimperialismo brasileño. Son históricas las quejas de Bolivia, Uruguay y Paraguay dentro del Mercosur de que Brasil ha sido el gran beneficiado por la unión aduanera.

Fuera del bloque económico, un indicio de la presencia cada vez más ostensiva de la economía brasileña en la región es la Iniciativa para la Integración de la Infraestructura Regional Suramericana, también conocida como Iirsa, que es financiada por el brasileño Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES).

“Eso tiene que ver con la resistencia de Brasil en promocionar bancos de desarrollo alternativos, como el Banco del Sur. El BNDES tiene sus propios intereses, y las grandes empresas brasileñas de infraestructura se comportan como empresas transnacionales de cualquier lugar del mundo”, explica Julio Oleas, del Ministerio de RREE del Ecuador. “El Iirsa es precisamente uno de los temas de conflicto de la Unasur, uno de los puntos calientes que deben ser superados para que podamos ir hacia un nuevo sistema de integración.”

Más allá de las ventajas comerciales y financieras, la diplomacia ecuatoriana cree que la Unasur debe defender ciertos referentes de solidaridad. Julio Oleas deja claro que una integración basada exclusivamente en la venta de bienes y servicios genera disparidades internas y no interesa al país. “Debemos tener una percepción común más clara en política social, infraestructura, manejo de energía y planificación territorial que no pase por el mismo camino de integración que atravesamos en la segunda mitad del siglo XX. Estamos hablando de un nuevo proceso”, destaca. Uno de los principales objetivos de este cambio de paradigmas es acabar con las llamadas asimetrías regionales –que apenas se intensifican con iniciativas como el Iirsa–.

Ésta es una de las razones que llevan Eduardo Gudynas a creer que la Unasur es, en algunos aspectos, un retroceso al proceso de integración. Más que nada, porque el tratado que la constituye desaparece con elementos sustanciales de la integración suramericana, tales como la reducción de asimetrías entre grandes y pequeñas economías y la coordinación productiva.

“La Unasur terminó por legitimar un largo proceso de postular que la integración es esencialmente suramericana y no latinoamericana. Esa idea fue presentada con fuerza por Fernando Henrique Cardoso en el 2000, durante la primera cumbre de presidentes de América del Sul. Cardoso consideraba que México, América Central y el Caribe ya estaban bajo influencia de los EEUU, y que Brasil sólo podía liderar en América del Sur”, argumenta Gudynas. “El gobierno de Lula profundizó la misma línea. Le han dado un duro golpe en el viejo propósito de integración latinoamericana. Y es paradojal que ese golpe no sólo esté pasando casi desapercibido, sino que fuese ejecutado desde la diplomacia de un gobierno de izquierda.” –tadeu breda (cc)

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